Intel dá início à produção em massa de seu nódulo mais ambicioso, um passo crucial para o renascimento da empresa em dificuldades
Intel avança na fabricação de semicondutores com nova tecnologia 18A.
Os Estados Unidos estão em uma luta pela independência tecnológica, buscando produzir a maior parte dos componentes essenciais de sua tecnologia. Apesar desse esforço, ainda há uma dependência significativa de países como China e Taiwan para a obtenção de elementos de terras raras, essenciais para a fabricação de chips avançados. Em meio a esse cenário, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) está expandindo suas operações nos EUA, enquanto a Intel se destaca como uma das principais esperanças da indústria de semicondutores americana.
A Intel anunciou que seu plano denominado Intel 18A está pronto para ser colocado em prática, marcando um passo importante na recuperação da empresa em meio a desafios históricos.
Um objetivo autoimposto
A Intel enfrenta uma das crises mais severas de sua trajetória, tendo perdido terreno para concorrentes como NVIDIA, Qualcomm e AMD, que optam por terceirizar a fabricação de chips. Diferente dessas empresas, a Intel mantém a produção de semicondutores sob sua própria bandeira, embora também recorra à terceirização em algumas áreas. Após dominar o mercado no início dos anos 2000, a empresa viu seus concorrentes superarem suas capacidades em produção, design e participação de mercado.
Em resposta a essa situação, a Intel estabeleceu, em 2021, uma meta audaciosa de desenvolver cinco nós de fabricação em um período de quatro anos. Essa estratégia, conhecida como 5N4Y, visa reposicionar a empresa na liderança da fabricação de semicondutores. Para isso, a Intel investiu em equipamentos de ponta da ASML e buscou se firmar como a fundição americana que pode ajudar o país a alcançar a soberania tecnológica, contando com um apoio financeiro significativo do governo dos EUA.
Intel 18A
Recentemente, a Intel revelou que está pronta para iniciar a produção em massa de produtos baseados na tecnologia 18A, com o vice-presidente de desenvolvimento tecnológico, Ben Sell, afirmando que a fabricação em larga escala começará em 2025. Esta nova linha de produtos inclui dois processadores distintos.
- Panther Lake – Esta arquitetura representa a nova série Intel Core Ultra 3, sendo o primeiro System-on-Chip da empresa desenvolvido com essa fotolitografia. Os chips são fabricados em um formato reduzido, aumentando a densidade em 30% e proporcionando um desempenho 15% superior por watt. Destinam-se a dispositivos móveis e integram CPU e GPU;
- Clearwater Forest – Este processador é voltado para data centers de hiperescala, computação em nuvem e treinamento de inteligência artificial. Ele será o núcleo dos processadores Xeon 6+, apresentando características de alta densidade, desempenho elevado e baixo consumo de energia.
Vanguarda tecnológica
A Intel parece estar recuperando seu ritmo, não apenas por se preparar para a produção em larga escala desses processadores, mas também pelas inovações tecnológicas que permitirão à empresa se reposicionar na vanguarda do setor.
- RibbonFET – Esta nova arquitetura, a primeira em mais de uma década, melhora o desempenho por watt em comparação com a tecnologia anterior, representando um avanço em relação aos FinFETs tradicionais.
- PowerVia – Esta inovação revoluciona a forma como a energia é fornecida aos processadores, separando a fonte de alimentação das linhas do chip e permitindo uma distribuição mais eficiente de energia, o que resulta em maior frequência de clock com menor consumo.
Fundição americana
As inovações da Intel a colocam em uma posição privilegiada no setor, especialmente considerando que sua principal concorrente, a TSMC, não deverá apresentar uma resposta antes de 2026, e a Samsung com sua GAA em 2027. Isso torna a Intel uma opção atraente para grandes empresas de tecnologia, que buscam não apenas tecnologia de ponta, mas também a segurança de uma fabricação local.
Além da tecnologia, a produção nos Estados Unidos traz vantagens em termos de apoio governamental. Informações indicam que empresas como NVIDIA e Apple estão em conversações com a Intel para que certas linhas de seus produtos sejam fabricadas pela empresa americana, em vez de pela TSMC.
O sucesso comercial se torna a última fronteira, e conquistar a confiança dos principais players
