Brasil pode superar os EUA e se tornar o maior exportador agrícola do mundo, aponta Financial Times
Brasil pode ultrapassar os EUA como maior exportador agrícola do mundo.
Uma recente análise aponta que os Estados Unidos estão em risco de perder a liderança global em exportações agrícolas para o Brasil. Este cenário se intensifica em um contexto de crescimento constante das exportações brasileiras, especialmente no setor agrícola.
Dados do Departamento de Agricultura dos EUA e do Ministério da Agricultura brasileiro revelam que, no último ano, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas, apenas US$ 2 bilhões a mais que o Brasil. Em 2021, a diferença entre os dois países era de US$ 56 bilhões, indicando uma rápida mudança nas dinâmicas do mercado.
As exportações brasileiras no setor agrícola aumentaram 6% no primeiro semestre de 2026, alcançando um recorde de US$ 87 bilhões. Este crescimento é impulsionado pelo Brasil, que se destaca como o maior produtor mundial de soja, carne bovina e avícola, além de ter superado os EUA em cultivos como o algodão.
O papel da China
Analistas destacam que as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump em 2018 tiveram um impacto significativo nas relações comerciais entre os EUA e a China. A redução nas importações chinesas de produtos agrícolas dos EUA beneficiou o Brasil, que viu suas exportações para o país asiático crescerem exponencialmente.
Em 2016, as importações de soja pela China eram equilibradas entre Brasil e EUA, mas a retaliação chinesa às tarifas americanas acelerou o crescimento das exportações brasileiras. Em 2025, o Brasil exportou mais de 80 milhões de toneladas de soja para a China, enquanto as exportações dos EUA caíram drasticamente.
Esses dados foram extraídos do UN Comtrade, que é considerado o maior repositório público de estatísticas de comércio internacional, evidenciando a crescente importância do Brasil no mercado global.
Embora os EUA ainda sejam capazes de produzir grandes safras, as margens de lucro estão diminuindo devido às tensões comerciais e aos preços baixos. A American Farm Bureau Federation estima que o setor agrícola dos EUA enfrentará prejuízos significativos em várias culturas no próximo ano.
A ascensão de Mato Grosso
A força do setor agrícola brasileiro não é apenas resultado das políticas comerciais americanas, mas também de um desenvolvimento construído ao longo das últimas décadas. O Brasil, que até os anos 1970 dependia de importações para alimentar sua população, agora é líder na exportação de produtos como café, cana-de-açúcar e suco de laranja.
A disponibilidade de terras a baixo custo e a expansão da produção para áreas antes consideradas inférteis contribuíram para essa transformação. O tratamento de solos pobres em nutrientes e o desenvolvimento genético de culturas adaptadas ao clima também foram fundamentais para esse avanço.
Esse modelo de produção contínua ajuda a diluir custos fixos e melhora as margens das propriedades rurais, segundo especialistas. No entanto, o Brasil deve se preparar para desafios futuros, como altas taxas de juros, queda nos preços das commodities e aumento nos custos de fertilizantes, que em sua maioria são importados.
