Flávio recebe R$ 500 mil de empresa associada a Vorcaro, segundo Metrópoles
Senador Flávio Bolsonaro é investigado por transações financeiras suspeitas envolvendo consultoria ligada a banco.
O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu um pagamento de R$ 500 mil de uma empresa associada a um diretor de consultoria que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master. Essa informação levanta questões sobre a legalidade e a transparência dessas transações financeiras.
No dia 9 de abril de 2025, a banca emitiu uma nota fiscal no valor de R$ 500 mil para a Contábil Correa, também conhecida como BR Global. O documento indica a prestação de serviços de assessoria jurídica, sem qualquer registro de cancelamento.
Dois dias antes, o escritório havia emitido outras duas notas fiscais, cada uma no valor de R$ 500 mil, para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A. Contudo, esses documentos foram cancelados na mesma data, totalizando R$ 1 milhão em transações que não se concretizaram.
Flávio Bolsonaro declarou que a contratação pela Copenhagen não foi efetivada e que não houve movimentação financeira entre as partes. Ele confirmou, no entanto, a prestação de serviços à Contábil Correa, enfatizando que a relação é “completamente legal e privada”.
As empresas envolvidas estão associadas ao contador Rogério Lourenço Novo, que é o único sócio da Contábil Correa e diretor da Copenhagen. Ele também ocupa um cargo no conselho fiscal da Ambipar, o que aumenta a complexidade da situação.
A Copenhagen, criada em novembro de 2024 com um capital inicial de apenas R$ 40, rapidamente se tornou uma das dez empresas que mais receberam recursos do Banco Master, o que levanta suspeitas sobre a origem e a destinação desses fundos.
Documentos da Receita Federal revelam que a consultoria recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025, embora as datas exatas dos repasses não sejam especificadas. Os primeiros aportes, totalizando R$ 11,2 milhões, ocorreram logo após a abertura da empresa.
A Copenhagen não possui site ou sede própria, e seu endereço oficial é o mesmo da Contábil Correa, situado em um prédio comercial em São Caetano do Sul, na Região Metropolitana de São Paulo.
Formalmente, a Copenhagen é de propriedade do fundo de investimentos Estônia, administrado pela Trustee DTVM, que está sob investigação da Polícia Federal por supostas irregularidades relacionadas ao grupo de Daniel Vorcaro.
Além disso, Rogério Lourenço Novo já foi alvo de investigações pela Polícia Federal por suspeita de operar um esquema de emissão de notas fiscais falsas entre 2013 e 2015, com uma fraude estimada em mais de R$ 100 milhões.
Em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro defendeu-se das acusações, afirmando que tentam associar seu nome ao Banco Master de forma indevida. Ele reiterou que foi contratado pela Contábil Correa e que não aceitou trabalhar para a Copenhagen.
“Fui contratado para prestar serviços advocatícios a uma empresa. Relação completamente legal e privada. Não aceitei trabalhar para a Copenhagen, que supostamente foi usada por Daniel Vorcaro para pagamentos. Cancelei duas notas fiscais”, declarou o senador.
Ele também assegurou que “não movimentou nada” com a consultoria em questão.
A relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro já havia sido alvo de atenção após a divulgação de mensagens sobre captação de recursos para a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulada Dark Horse.
Planilhas obtidas indicam que pelo menos R$ 61 milhões foram destinados à produtora do filme, e uma investigação sobre possíveis irregularidades no financiamento está em andamento no Supremo Tribunal Federal.
Flávio, formado em Direito pela Universidade Candido Mendes, no Rio de Janeiro, equilibra suas atividades como senador com sua carreira de advogado e empresário. Seu escritório já atuou em diversos processos no Superior Tribunal de Justiça.
Entre os casos em que esteve envolvido, destaca-se um pedido de habeas corpus para interromper uma ação penal contra dois ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”. Em outra ocasião, representou policiais militares acusados de homicídio em uma emboscada no Vidigal, em 2020.
O senador tem enfrentado
