Seis Candidatos Disputam a Sucessão de António Guterres na ONU; Descubra Quem São
Seis candidatos disputam a sucessão de António Guterres na ONU.
A Organização das Nações Unidas (ONU) realiza um debate público com os candidatos ao cargo de secretário-geral na sede da instituição, em Nova York. O evento, que ocorrerá nesta quinta-feira, será transmitido ao vivo pela UN Web TV e pela Bloomberg.
Seis nomes estão na disputa pela sucessão de António Guterres, cujo segundo mandato termina em 31 de dezembro de 2026. Guterres, que liderou a ONU por uma década, deixa o cargo ao fim do seu último mandato permitido. Durante esta semana, os candidatos apresentarão suas propostas em debates públicos organizados pela ONU.
A escolha do novo secretário-geral começa no Conselho de Segurança, onde os cinco membros permanentes – Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido – possuem poder de veto. Apenas o candidato aprovado pelo Conselho segue para a votação final na Assembleia Geral, que realizará a nomeação oficial.
América Latina concentra metade dos candidatos
A América Latina é a região com maior representação na disputa, contando com três dos seis candidatos: a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, o argentino Rafael Grossi, atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e a costa-riquenha Rebeca Grynspan, atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).
- Bachelet busca se tornar a primeira mulher a liderar a ONU, defendendo uma organização mais firme na proteção dos direitos humanos.
- Grossi aposta na experiência adquirida à frente da AIEA para enfrentar crises internacionais e propõe reformas administrativas para aumentar a eficiência da organização.
- Grynspan defende uma ONU mais ousada e um Conselho de Segurança com maior representação de países da África e da América Latina.
A forte presença latino-americana ressalta o peso político da região na disputa, embora a decisão final dependa do aval dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
Quem são os demais candidatos
Além dos representantes latino-americanos, a disputa conta com dois outros candidatos proeminentes. O ex-presidente do Senegal, Macky Sall, que governou de 2012 a 2024, aposta na sua experiência política e na promoção de uma maior presença africana nas decisões globais.
A diplomata Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana, atual representante permanente do país na ONU, é a outra candidata. De origem indígena, ela entrou recentemente na disputa e defende um fortalecimento do multilateralismo e uma ONU mais eficiente para lidar com os desafios contemporâneos.
Em fevereiro, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva anunciou apoio à candidatura de Michelle Bachelet, um apoio que também foi manifestado pelo México.
Processo de escolha ganha mais transparência
A principal mudança em relação às eleições anteriores é o aumento da transparência no processo. Desde 2016, a ONU implementou um processo mais aberto para a escolha do secretário-geral, com regras reforçadas por uma resolução aprovada no ano passado.
As candidaturas agora são oficialmente divulgadas, acompanhadas de currículos, propostas e informações sobre o financiamento das campanhas.
Outra novidade é a realização de debates e diálogos públicos, como o que ocorrerá nesta quinta-feira, onde os candidatos apresentarão suas prioridades e responderão a perguntas de representantes dos Estados-membros e da sociedade civil.
Embora a decisão continue a ser tomada pelo Conselho de Segurança e pela Assembleia Geral, o processo se tornou mais transparente, permitindo um maior escrutínio por parte da comunidade internacional.
Quais serão os próximos passos
Após os debates públicos, o processo entra na fase de negociações diplomáticas. O candidato precisa obter pelo menos nove votos favoráveis no Conselho de Segurança e não ser vetado por nenhum dos cinco membros permanentes.
Somente após essa recomendação é que o nome seguirá para a Assembleia Geral da ONU, composta por 193 Estados-membros, que é responsável pela nomeação oficial. O mandato é de cinco anos, com possibilidade de recondução.
A eleição deste ano pode marcar um momento histórico, com a possibilidade de a ONU ter, pela primeira vez em seus 80 anos, uma mulher à frente da organização.
