Trinta anos após zombarmos da obsessão da China e do Japão com a proteção solar, começamos a adotar suas práticas
O uso do facekini na China reflete uma cultura de proteção solar distinta.
Durante os meses quentes, praias chinesas como as de Qingdao se tornaram palco para a popularização do facekini, uma peça que cobre o rosto para proteger a pele dos raios ultravioleta. Essa tendência, que já existe há alguns anos, ganhou destaque em meio a um crescente interesse pela proteção solar durante ondas de calor.
Embora o facekini possa parecer exótico a olhos ocidentais, ele representa uma atitude cultural em relação à exposição ao sol que difere significativamente de outras partes do mundo. Na China, a aversão ao bronzeamento artificial está profundamente enraizada, com a pele clara sendo considerada um ideal estético. Expor-se ao sol é muitas vezes visto como um comportamento subversivo, especialmente entre as mulheres, que buscam preservar a aparência de pele “leitosa”.
Nas praias brasileiras, a adoção do facekini ainda é rara, mas a preocupação com a proteção solar está crescendo. A prática de se proteger do sol, independentemente das diferenças culturais, começa a ser reconhecida como uma atitude sensata, refletindo uma mudança nas percepções sobre a exposição solar.
“É muito malvisto”
A popularidade do facekini é apenas uma das manifestações de um fenômeno cultural mais amplo. A valorização do bronzeado não é universal; enquanto na Califórnia o bronzeado é celebrado, em muitas culturas asiáticas, a pele clara é preferida e associada a status social.
De acordo com especialistas, a visão sobre o bronzeado é influenciada por fatores históricos e sociais. Na China, o bronzeamento artificial é desaprovado, e a busca por uma pele mais clara é uma expressão de conformidade com padrões estéticos tradicionais.
Embora o bronzeamento artificial esteja se tornando mais comum na Ásia, a diferença cultural em relação à exposição solar ainda é significativa. A busca pela proteção solar é um reflexo de uma consciência crescente sobre os riscos associados à exposição excessiva ao sol.
Por que eles fazem isso?
As diferenças culturais na exposição ao sol explicam o comportamento de muitos turistas asiáticos, que frequentemente se protegem intensamente dos raios solares. O uso de roupas de manga longa, luvas e guarda-chuvas é comum, criando um contraste marcante com as práticas de banhistas ocidentais.
Experiências pessoais, como observar turistas coreanas no Cairo, revelam como a proteção solar é uma prioridade para muitos, destacando a diferença na abordagem em relação ao sol entre culturas distintas.
Lição de humildade
No Brasil, o uso de roupas de proteção solar e guarda-sóis está se tornando mais comum, refletindo uma mudança nas atitudes em relação à exposição ao sol. Cada vez mais, os pais vestem seus filhos com camisetas de proteção antes de levá-los à praia.
Guarda-sol, camisetas e mais
Os guarda-sóis representam uma mudança significativa na relação da sociedade com o sol. Especialistas têm trabalhado para conscientizar sobre os riscos da exposição solar sem proteção, alertando sobre problemas como queimaduras e câncer de pele.
Essa conscientização não implica que a percepção cultural em relação ao bronzeado esteja mudando, mas sim que as evidências sobre os riscos da exposição solar estão se consolidando. O que antes era visto como excentricidade, agora é reconhecido como uma abordagem mais saudável.
O Dr. Julián Conejo Mir, especialista em dermatologia, alerta que a exposição excessiva ao sol pode causar mutações na pele, aumentando o risco de câncer. A proteção solar é essencial para evitar esses problemas, mesmo que o sistema imunológico possa neutralizar algumas dessas mutações.
Ótimo, não é?
A aceitação do uso de guarda-sóis e roupas de proteção é um sinal positivo, mas isso não significa que a conscientização sobre os riscos da exposição solar esteja totalmente internalizada. Há um risco de que a sociedade se acomode, acreditando que medidas de proteção são suficientes para evitar problemas de saúde.
Um estudo recente revela que, embora muitos estejam preocupados com os efeitos do sol na pele, uma grande parte da população ainda não utiliza protetor solar regularmente, evidenciando a necessidade de uma maior conscientização sobre a importância da proteção solar.
As redes sociais desempenham um papel importante na disseminação de informações sobre os riscos da exposição solar, mas também podem propagar desinformação, dificultando a compreensão
