Divisão no STF analisa postura extremista de Flávio sobre urnas enquanto Kassio desconsidera comparação com Bolsonaro
Ministros do STF criticam Flávio Bolsonaro por disseminação de desinformação sobre urnas eletrônicas.
Três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão preocupados com a postura do senador Flávio Bolsonaro, que, inspirado por práticas do governo americano, tem propagado desinformação sobre as urnas eletrônicas utilizadas no Brasil.
Esses ministros compartilham a opinião de que o pré-candidato se afastou de um discurso moderado, o que é visto como um erro estratégico por parte de políticos do centrão.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, comentou que as declarações de Flávio a embaixadores estrangeiros em um evento recente são menos severas do que as feitas por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante a campanha de 2022.
Em uma palestra, Flávio afirmou que os Estados Unidos denunciaram fraudes nas eleições da Venezuela e insinuou que as urnas desse país são da mesma empresa que fornece equipamentos ao Brasil, o que é uma informação incorreta.
Kassio, que foi nomeado para o STF por Jair Bolsonaro, optou por não se manifestar publicamente sobre a afirmação do senador. O TSE, por sua vez, apenas republicou um esclarecimento antigo na seção “Fato ou Boato” da corte.
A nota esclarecedora, intitulada “Smartmatic, que forneceu urnas para a Venezuela, nunca vendeu aparelhos para o Brasil”, foi publicada em 2020 e atualizada em 2022, informando que a empresa perdeu a licitação para a Positivo Tecnologia.
Em vez de rebater diretamente as declarações de Flávio, o TSE divulgou um vídeo em que Kassio discursa no mesmo evento, mas com cinco dias de antecedência, defendendo a confiabilidade das urnas eletrônicas. “O Brasil desenvolveu uma das mais sofisticadas estruturas de integridade eleitoral existentes no mundo”, afirmou Kassio.
Para alguns ministros do STF que criticam a postura de Kassio, a comparação falsa entre as urnas venezuelanas e brasileiras não deve ser minimizada, especialmente porque Flávio parece replicar um discurso de Donald Trump, o que pode abrir espaço para interferências externas nas eleições.
Um dos ministros classificou as declarações de Flávio como absurdas e lembrou que o TSE tem precedentes que indicam que a disseminação de fake news sobre urnas pode resultar em inelegibilidade, como ocorreu com Jair Bolsonaro, que levantou suspeitas infundadas sobre o sistema eletrônico de votação.
Kassio, no entanto, acredita que existem diferenças entre os dois casos. Para ele, enquanto Bolsonaro fez acusações diretas de fraude, Flávio apenas solicitou que os embaixadores enviassem observadores para o pleito brasileiro, sem questionar o sistema.
Outra distinção mencionada por Kassio é que, durante a reunião com embaixadores em julho de 2022, Bolsonaro era presidente e pré-candidato à reeleição, utilizando a máquina pública para disseminar desinformação, o que não se aplica ao caso de Flávio.
Dois outros ministros do TSE consideram a desinformação de Flávio preocupante e acreditam que pode sinalizar o início de uma escalada golpista similar àquela promovida por Bolsonaro nas últimas eleições gerais. O ex-presidente atualmente cumpre pena de 27 anos e três meses por liderar essas articulações, que culminaram nos atos de 8 de janeiro.
Embora Kassio tenha optado por não se manifestar oficialmente sobre as declarações do senador, ele tem afirmado a seus auxiliares que a integridade do sistema eleitoral deve ser defendida e que o TSE está implementando várias campanhas relacionadas a esse tema.
O escritório de Flávio também emitiu notas fiscais no valor total de R$ 1 milhão para uma consultoria que recebeu R$ 57,9 milhões de uma empresa chamada Master. Os documentos foram cancelados, e Flávio nega ter movimentado valores com essa empresa.
