Flávio Bolsonaro recebe R$ 500 mil de empresa vinculada a consultoria que atuou com o Master
Flávio Bolsonaro é alvo de polêmica após receber R$ 500 mil de consultoria ligada a investigações.
BRASÍLIA, DF – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se posiciona como pré-candidato do PL à Presidência da República, está no centro de uma controvérsia financeira após receber R$ 500 mil de uma empresa associada a uma consultoria que tem vínculos com o Banco Master.
O montante se refere a uma nota fiscal emitida pelo escritório de advocacia de Flávio em 9 de abril de 2025, categorizada como serviços advocatícios prestados à Contábil Correa. Esta empresa é de propriedade de Rogério Lourenço Novo, que também ocupa o cargo de diretor na Copenhagen Assessoria e Consultoria desde setembro de 2025.
A Copenhagen Assessoria recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master e é vinculada ao fundo Estonia, que pertence a Tercio Borlenghi Junior, um empresário que está sob investigação por manipulação de mercado, juntamente com Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Rogério Lourenço Novo, além de ser diretor da Copenhagen, é conselheiro fiscal da Ambipar, o que fortalece sua conexão com Tércio. Antes de receber o pagamento da Contábil Correa, Flávio havia emitido e posteriormente cancelado duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para a Copenhagen, uma das quais foi cancelada no mesmo dia em que a nota para a Contábil foi emitida.
As informações sobre as notas fiscais foram confirmadas por diferentes fontes. Em um vídeo nas redes sociais, Flávio afirmou ter prestado serviços à Contábil Correa, mas não à Copenhagen, sem entrar em detalhes sobre a natureza desses serviços. Ele criticou a divulgação das informações, alegando que visam “marginalizar a advocacia”.
Flávio, que é advogado, destacou que as notas estão registradas em nome de seu escritório, Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia. No vídeo, ele enfatizou que não aceitou trabalhar para a Copenhagen, que estaria supostamente ligada a pagamentos feitos por Vorcaro. “Não foi o meu caso”, afirmou.
O senador também se defendeu de acusações, alegando que seu sigilo foi quebrado de forma criminosa e sem autorização judicial, questionando a legitimidade da divulgação das informações.
A convenção nacional do PL, que deverá confirmar Flávio como candidato à presidência, está marcada para este sábado (25), em São Paulo. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que a divulgação das notas fiscais é uma tentativa de desestabilizá-lo durante o período eleitoral, expressando cansaço com as constantes defesas que precisa fazer.
Flávio declarou que nunca teve conhecimento de qualquer ligação entre sua empresa e o Banco Master, afirmando que o contrato de prestação de serviços foi firmado com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, e que a contratação de serviços para a Copenhagen não prosseguiu.
A família Bolsonaro está sob investigação em relação ao caso Master, que envolve pagamentos feitos por Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, que retrata Jair Bolsonaro. A revelação de diálogos entre Flávio e Vorcaro em maio teve um impacto negativo em sua campanha, resultando em uma desvantagem nas pesquisas eleitorais em relação ao candidato Lula (PT).
A reportagem tentou contato com a defesa de Daniel Vorcaro, bem como com a Copenhagen e a Contábil Correa, mas não obteve resposta.
