UE exige cumprimento de acordo comercial pelos EUA diante das novas tarifas de Trump

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Comércio entre a UE e os EUA atinge recorde em 2023, superando US$ 1,8 trilhão.

Em 2023, o comércio entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos ultrapassou a marca de US$ 1,8 trilhão, refletindo a importância crescente das relações comerciais entre as duas regiões.

A UE expressou a expectativa de que os Estados Unidos cumpram integralmente o acordo comercial estabelecido em julho, apesar do governo anterior ter anunciado novas tarifas sobre produtos importados. Essas tarifas foram justificadas como uma medida para combater o trabalho forçado nas cadeias globais de produção.

Um porta-voz da Comissão Europeia ressaltou que o bloco já atendeu aos compromissos do acordo e que o diálogo com a administração americana continuará. A UE se comprometeu a eliminar tarifas sobre produtos industriais dos EUA e aumentar o acesso de produtos agrícolas americanos ao mercado europeu.

“A UE já cumpriu a sua parte do acordo. Continuaremos a dialogar com a administração dos EUA para garantir que os EUA cumpram integralmente os seus compromissos”, afirmou o representante.

Em contrapartida, os Estados Unidos mantiveram tarifas de 15% sobre a maior parte dos bens exportados pela UE. Antes da implementação das novas tarifas, o governo anterior ameaçou aumentar ainda mais as taxas caso a UE não cumprisse os compromissos até a data estipulada.

O Reino Unido, por sua vez, garantiu que não será impactado por essas novas tarifas. Um porta-voz do governo britânico declarou que o acordo comercial com os EUA permanece em vigor, evitando assim qualquer aumento nas taxas alfandegárias para as empresas britânicas.

“Não há qualquer alteração negativa nas taxas alfandegárias que as empresas do Reino Unido enfrentam em consequência deste anúncio. O nosso acordo com os EUA mantém-se em vigor”, afirmou o porta-voz.

O governo britânico também enfatizou que está adotando medidas para evitar que empresas do país se tornem cúmplices do trabalho forçado nas cadeias de abastecimento.

As novas tarifas são resultado de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, que concluiu que muitos países não implementam mecanismos adequados para barrar a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.

Os EUA alegam que o Brasil, a UE e outros parceiros comerciais falham em fiscalizar suas cadeias de importação, o que gera condições de concorrência desleal para as empresas americanas. Contudo, especialistas contestam essa justificativa, apontando que a investigação não apresentou evidências concretas de produtos brasileiros associados ao trabalho forçado no mercado americano.

Além disso, setores frequentemente relacionados a resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil não foram incluídos nas principais sobretaxas anunciadas.

A ofensiva comercial dos EUA ocorre em um momento em que o governo busca ampliar a pressão sobre parceiros econômicos e reorganizar as cadeias globais de produção. Especialistas acreditam que essas medidas visam não apenas combater o trabalho forçado, mas também proteger a indústria americana e aumentar a pressão sobre a China e outros concorrentes.

Dados da fundação Walk Free indicam que os Estados Unidos lideram o ranking mundial de importações potencialmente expostas ao risco de trabalho forçado, movimentando cerca de US$ 169,6 bilhões anualmente. Em comparação, o Brasil representa aproximadamente US$ 5,6 bilhões, segundo informações de 2023.

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