China e EUA defendem IA de código aberto em declaração inédita na reunião da APEC

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Estados Unidos e China se unem em apoio à inteligência artificial de código aberto.

Durante uma reunião ministerial da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC), realizada em Chengdu, na China, Estados Unidos e China firmaram um compromisso conjunto para o desenvolvimento de inteligência artificial de código aberto. A declaração, que contou com a assinatura dos 21 membros do bloco, enfatiza a importância de desenvolver modelos abertos com mecanismos robustos de segurança e governança.

O documento reconhece que tecnologias de código aberto têm o potencial de impulsionar a inovação, reduzir custos de desenvolvimento e facilitar o acesso à inteligência artificial para governos, empresas e pesquisadores. Além disso, os países concordaram que esses sistemas devem incluir medidas de proteção que minimizem riscos relacionados à segurança cibernética e ao uso indevido dos modelos.

Esse acordo surge em um contexto de crescente rivalidade entre Estados Unidos e China pela liderança em inteligência artificial. Apesar das restrições comerciais impostas pelos EUA ao acesso chinês a chips avançados e das disputas sobre propriedade intelectual, ambos os países identificaram a necessidade de estabelecer princípios básicos para o desenvolvimento responsável de tecnologias abertas.

A declaração também marca um passo significativo nas discussões sobre a governança da IA em um cenário multilateral. Embora não crie regras vinculativas, o texto expressa apoio ao compartilhamento de conhecimento, à interoperabilidade entre as economias da região e à adoção de práticas comuns para o desenvolvimento seguro de modelos abertos.

Código aberto ganha protagonismo na estratégia chinesa

A promoção do código aberto está em sintonia com a estratégia da China, que visa aumentar sua influência internacional em inteligência artificial. O governo chinês tem incentivado modelos abertos como alternativas às plataformas fechadas de empresas norte-americanas, além de promover a cooperação tecnológica com países emergentes e nações do Sul Global.

Na abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC), realizada em Xangai recentemente, o presidente Xi Jinping destacou a intenção da China de expandir a colaboração internacional em IA, fomentar projetos de código aberto e oferecer programas de capacitação para países em desenvolvimento. Essa estratégia busca mitigar desigualdades no acesso à tecnologia e estabelecer um modelo de governança mais colaborativo.

O apoio ao código aberto também reflete o aumento na adoção de modelos chineses por empresas globalmente. Soluções desenvolvidas por laboratórios como DeepSeek, Moonshot AI, Alibaba e Z.ai têm se destacado por oferecer desempenho competitivo a custos mais baixos do que os modelos proprietários, intensificando a concorrência no mercado global de IA.

Especialistas afirmam que o consenso alcançado na APEC evidencia que, apesar das tensões geopolíticas e comerciais, há um interesse mútuo em criar diretrizes para tecnologias que impactam a inovação, a produtividade e a competitividade econômica. Embora o documento não altere as políticas nacionais de exportação ou controle tecnológico, ele reforça a percepção de que a cooperação internacional é essencial em áreas como segurança, interoperabilidade e padrões técnicos para inteligência artificial.

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