Proibição do foie gras por Lula gera tensões comerciais com a França
Brasil proíbe produção e comercialização de foie gras devido a práticas consideradas cruéis.
A nova norma publicada no Diário Oficial da União estabelece a proibição da produção e comercialização de foie gras, tanto em sua forma natural quanto enlatada.
Os infratores da regulamentação poderão enfrentar penalidades que incluem prisão de três meses a um ano, além de multas, conforme estipulado pela Lei de Crimes Ambientais, que trata de maus-tratos a animais.
O foie gras, que significa “fígado gordo” em português, é produzido através de um método chamado gavage. Essa técnica envolve a alimentação forçada de patos ou gansos, que recebem grandes quantidades de ração por meio de um tubo metálico inserido no esôfago.
Esse processo é realizado nas semanas finais de vida das aves, com o objetivo de aumentar o tamanho do fígado. A alimentação forçada costuma ocorrer duas a três vezes por dia durante um período de duas a três semanas.
“Isso gera uma série de lesões na garganta, no esôfago ou até na face e no bico do animal”, explica um especialista em bem-estar animal.
O fígado das aves pode aumentar até dez vezes seu tamanho normal, resultando em dores, alterações metabólicas e estresse térmico. Além disso, o procedimento muitas vezes é realizado de maneira inadequada, causando mais ferimentos.
“As aves já fogem quando o funcionário se aproxima, pois o manejo se torna violento e desrespeitoso durante a sondagem”, afirma uma representante de uma ONG de proteção animal.
Embora o foie gras seja uma iguaria tradicional em países como a França, sua produção é amplamente criticada por organizações de defesa dos direitos dos animais, que destacam o sofrimento e os impactos negativos sobre o bem-estar das aves.
A recente decisão do governo brasileiro reacendeu tensões comerciais entre Brasil e França, uma vez que este último é o principal produtor mundial de foie gras.
De acordo com informações do setor, o Brasil representa um mercado significativo, com importações anuais em torno de 1 milhão de euros, concentradas em restaurantes de alta gastronomia.
Antes da sanção presidencial, a entidade francesa responsável pela indústria de foie gras havia solicitado a intervenção da União Europeia para barrar a proibição, classificando-a como uma violação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.
Os produtores franceses expressam preocupação não apenas com o impacto econômico imediato, mas também com o precedente que essa decisão pode estabelecer para a regulamentação de outros produtos agrícolas europeus. Eles argumentam que o foie gras é parte de uma lista de produtos com indicações geográficas protegidas pelo acordo.
A situação se torna ainda mais delicada, pois toca em um tema defendido por agricultores europeus: as “cláusulas-espelho”, que exigem que produtos importados respeitem padrões ambientais, sanitários e de bem-estar animal semelhantes aos da União Europeia.
