Israel prende mais de 70 suspeitos após intensos confrontos na Cisjordânia
Aumento da violência na Cisjordânia e ataques em Gaza geram preocupações internacionais.
Recentes confrontos na Cisjordânia resultaram na detenção de mais de 70 suspeitos pelo Exército de Israel, em operações que ocorreram entre a noite de sexta-feira e o sábado (25).
A vila de Tell, no norte da Cisjordânia, foi o epicentro dos conflitos, com a presença contínua das tropas israelenses. Moradores relataram buscas intensas, incluindo uma invasão a um hospital em Nablus, uma das áreas mais afetadas pela violência na região.
Ghassan Barkat, diretor do Hospital de Especialidades de Nablus, denunciou que mais de 50 soldados invadiram a instituição, causando pânico entre os pacientes. Ele relatou que os militares amarraram e insultaram funcionários e pacientes, revistando alas médicas e prendendo um homem gravemente ferido.
O Exército israelense não fez menção ao hospital em seu comunicado, mas afirmou ter revistado mais de 300 locais. As autoridades militares alegaram que os detidos incluem membros do Hamas, traficantes de armas e suspeitos de atividades terroristas.
Conflitos em Tell
As circunstâncias dos confrontos em Tell ainda não estão completamente esclarecidas. Relatos indicam que colonos israelenses entraram na vila e foram confrontados por moradores que temiam um ataque, em uma área considerada proibida para israelenses, classificada como Área B sob os Acordos de Oslo de 1993.
O Ministério da Saúde palestino informou que quatro palestinos foram mortos durante os confrontos, enquanto o Exército israelense relatou a morte de dois soldados, incluindo um colono. Além disso, outros dois israelenses e quatro palestinos ficaram feridos.
Amin Shuman, presidente da comissão superior Palestina para assuntos de prisioneiros, afirmou que mais de 80 palestinos foram presos em todo o território, caracterizando as ações como uma tentativa de impor medidas punitivas coletivas.
Novos ataques em Gaza
Simultaneamente, ataques israelenses na Faixa de Gaza resultaram na morte de pelo menos quatro palestinos e ferimentos em 15 outros. Os locais atingidos incluem Khan Younis, Jabaliya, Cidade de Gaza, Nuseirat e Deir al-Balah, com relatos de caos e feridos sendo atendidos em hospitais locais.
O Exército de Israel justificou os ataques, afirmando que visavam membros do Hamas, mas não comentou sobre outros incidentes. As forças israelenses alegam que os bombardeios são respostas a ataques a tiros contra suas tropas e outras violações.
Contexto e trégua frágil
A Cisjordânia tem experimentado um aumento da violência sob o atual governo israelense, que tem incentivado a construção de assentamentos, considerados ilegais pela comunidade internacional e um obstáculo à paz. Mais de 700 mil israelenses residem na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental.
Embora os combates em Gaza tenham diminuído desde o início de um frágil cessar-fogo em outubro, ataques aéreos israelenses continuam a ocorrer. Desde então, mais de 1.191 palestinos foram mortos, enquanto cinco soldados israelenses também perderam a vida durante o mesmo período.
A guerra, que começou em 7 de outubro de 2023, foi desencadeada por uma invasão do Hamas a Israel, resultando na morte de cerca de 1.200 pessoas e no sequestro de 251. Desde então, a ofensiva israelense em Gaza deixou mais de 73.317 palestinos mortos, com a maioria das vítimas sendo mulheres e crianças, segundo autoridades locais.
Os dados apresentados são considerados confiáveis pela ONU e especialistas independentes, refletindo a gravidade da situação na região.
