Zambelli retorna às redes sociais após saída da prisão e nega fuga da Itália
Carla Zambelli se manifesta nas redes sociais e nega ser foragida na Itália.
A ex-deputada federal Carla Zambelli utilizou suas redes sociais neste domingo (26) para esclarecer sua situação na Itália. Em um vídeo de aproximadamente cinco minutos, ela afirmou que não está foragida e que seu endereço é conhecido pelas autoridades italianas.
Em sua declaração, Zambelli enfatizou que está cumprindo as determinações da Justiça local. Ela reafirmou sua condição de cidadã italiana e destacou que chegou ao país em busca de proteção.
“Quero ser muito clara: eu não sou uma fugitiva. Cheguei à Itália para procurar proteção em um país do qual também sou cidadã.”
Desde maio, a ex-parlamentar está em liberdade, após a Corte de Cassação da Itália anular a decisão que autorizava sua extradição ao Brasil. O tribunal determinou que o caso fosse reavaliado por outra composição da Corte de Apelação de Roma.
Zambelli havia sido presa em julho de 2025, após ser localizada na Itália, em resposta a um pedido de extradição do governo brasileiro devido a condenações do Supremo Tribunal Federal (STF).
Resposta a deputado italiano
O vídeo foi uma resposta às declarações do deputado italiano Angelo Bonelli, que havia afirmado que ninguém sabia o paradeiro de Zambelli. Ele sugeriu que ela estaria aguardando as eleições brasileiras para buscar uma possível anistia.
A ex-deputada considerou as afirmações de Bonelli como estranhas e acusou-o de ter uma “obsessão” por sua vida. Ela revelou que não conhecia o deputado antes de suas declarações frequentes sobre ela.
“Antes de chegar à Itália, eu nem sabia quem era. Nunca havia ouvido falar desse deputado.”
Zambelli também mencionou uma foto de Bonelli com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, insinuando que o deputado se atribuiu um papel em sua prisão.
Desde sua liberação, Zambelli permanece na Itália, respeitando as exigências judiciais. Ela afirmou que seu endereço é conhecido pelas autoridades e que sua situação não é clandestina.
“Estou respeitando rigorosamente todas as disposições da Justiça italiana. Não há absolutamente nada de clandestino na minha situação.”
Ela optou por não divulgar publicamente sua localização por questões de segurança pessoal e familiar.
Extradição será reavaliada
A ex-deputada destacou que a anulação da decisão sobre sua extradição indica que havia questões que necessitavam de uma análise mais profunda pela Justiça italiana. A Corte de Cassação identificou problemas relacionados às garantias processuais e à saúde da brasileira, decidindo por um novo julgamento.
Ainda assim, o processo de extradição não foi encerrado e será reavaliado pela Justiça italiana. Zambelli expressou gratidão aos advogados que a defendem no país.
Durante sua manifestação, ela se apresentou como alvo de perseguição política no Brasil, uma alegação que faz parte de sua defesa, embora as condenações tenham sido impostas pelo STF.
“Infelizmente, continuo a ser perseguida pela pessoa que hoje, de fato, comanda o Brasil. É essa perseguição que me levou até aqui,” declarou, referindo-se indiretamente ao ministro Alexandre de Moraes.
Condenações no Brasil
Zambelli foi condenada a dez anos de prisão pelo STF por sua participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela inserção de documentos falsos. Ela foi considerada autora intelectual da invasão realizada por um hacker.
Em outro caso, recebeu pena de cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, relacionado a um incidente em que perseguiu um homem armado em São Paulo. As condenações somam mais de 15 anos de prisão.
A Justiça italiana deverá analisar os pedidos de extradição no novo julgamento, que ainda não possui data definida.
Retorno às redes
A manifestação de Zambelli ocorreu dois dias após seu anúncio de retorno às redes sociais. Na sexta-feira (25), ela expressou sua intenção de participar do debate político nas eleições de 2026 e divulgou a pré-candidatura de sua mãe a deputada federal.
Durante
