Brasil enfrenta risco de perda superior a US$ 500 milhões devido a bloqueio da União Europeia
Embargo da União Europeia afeta exportações brasileiras de carne bovina, mel e pescados.
O embargo recentemente ratificado pela União Europeia impacta significativamente as exportações brasileiras de carne bovina, mel e pescados. O bloco europeu justifica a medida com a alegação de que o Brasil não possui mecanismos de controle adequados para monitorar o uso de antimicrobianos em suas cadeias produtivas.
No setor de mel, a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) estima que cerca de US$ 4 milhões (R$ 20,3 milhões) deixarão de ser exportados para a União Europeia entre setembro e dezembro deste ano.
Além disso, o setor de pescados, que não exporta para a União Europeia desde 2017, estava se preparando para retomar as vendas. A Abipesca (Associação Brasileira da Indústria de Pescados) alerta que o embargo pode impedir a entrada de até US$ 100 milhões (R$ 506,6 milhões) em receitas de exportação no próximo ano.
Motivações do embargo
Embora a União Europeia afirme que o embargo está relacionado à fiscalização do uso de antimicrobianos, empresários dos setores afetados acreditam que a medida possui motivação protecionista. O protecionismo envolve ações de um país para favorecer sua produção interna, dificultando a concorrência estrangeira.
O sistema de defesa agropecuária do Brasil, vinculado ao Ministério da Agricultura, é um dos mais eficientes do mundo, com índices de rechaço próximo de zero. Empresários argumentam que a pressão política de produtores locais da União Europeia pode estar por trás da decisão, já que a carne bovina brasileira apresenta ampla oferta e preços competitivos.
O presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, ressalta que, no caso dos pescados, os antimicrobianos citados pela decisão da UE não são utilizados. “Nosso maior volume de exportação é a pesca extrativa, o produto mais natural que existe das águas oceânicas e continentais”, afirma.
O mesmo argumento é utilizado em relação ao mel brasileiro, que é considerado um produto orgânico e, portanto, livre do uso de antibióticos. A União Europeia não identificou a presença desses antimicrobianos nos produtos exportados pelo Brasil, mas questiona a eficácia dos mecanismos de monitoramento e fiscalização.
Crescimento do mercado europeu
Em 2025, as exportações de carne bovina para a União Europeia representaram 3,68% do volume total exportado, gerando cerca de 6% da receita do setor. O volume embarcado cresceu 7,2% em relação ao ano anterior, com a União Europeia concentrando suas compras em cortes nobres como filé mignon e contrafilé.
Os principais compradores de carne bovina brasileira na Europa incluem os Países Baixos e a Itália, que movimentaram US$ 382,8 milhões (R$ 1,94 bilhão) e US$ 374,2 milhões (R$ 1,90 bilhão), respectivamente. O setor de mel também tem uma participação significativa no mercado europeu, representando cerca de 5% das exportações, com faturamento de US$ 6,2 milhões (R$ 31,4 milhões) em 2025.
No primeiro semestre deste ano, as exportações de mel para a União Europeia quase dobraram, passando de US$ 3,18 milhões (R$ 16,1 milhões) para US$ 6,35 milhões (R$ 32,2 milhões).
O presidente da Abemel, Renato Azevedo, destaca que o bloqueio interrompe o trabalho de diversificação de mercado que vem sendo feito. “Acaba sendo um balde de água fria nos esforços dos exportadores”, afirma.
A imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros também gera preocupação, especialmente considerando que carne bovina, pescados e mel estão isentos de sobretaxas, mas a instabilidade nas relações com os EUA afeta a confiança nos mercados.
Impacto nas negociações de pescados
O embargo, que deve entrar em vigor em setembro, comprometeria as
