Pessimismo se intensifica em 26 setores da indústria em julho
Indústria brasileira enfrenta crescente pessimismo, com apenas três setores confiantes.
O cenário industrial brasileiro se mostra cada vez mais desolador, com o número de setores com empresários pessimistas aumentando de 24 para 26 em julho. Essa informação é revelada pelo Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei Setorial), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Entre os 29 segmentos analisados, apenas três mantiveram-se acima da linha de 50 pontos, que indica confiança. A pesquisa, realizada com 1.656 empresas entre 1º e 10 de julho, evidencia que a indústria nacional não apresenta sinais de confiança há 19 meses consecutivos. Esse ambiente de incerteza tem levado os empresários a postergar decisões cruciais, como investimentos, contratações e aumento da produção.
O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, destaca que a cautela dos empresários resulta em adiamentos de atividades e investimentos. A prolongada falta de confiança, observada em diversos segmentos, provoca uma efetiva redução das atividades e a interrupção de planos de expansão.
Embora o Icei tenha avançado em 11 dos 29 setores industriais em comparação a junho, nenhum deles conseguiu ultrapassar a marca de 50 pontos, permanecendo em território de desconfiança. Por outro lado, o indicador apresentou queda em 18 segmentos, com os setores de produtos diversos e impressão e reprodução ingressando no grupo dos pessimistas.
Azevedo ressalta que mesmo os segmentos que ainda demonstram alguma confiança estão operando em níveis moderados de otimismo, tornando-se vulneráveis a mudanças adversas no cenário econômico.
Centro-Oeste apresenta melhora
Entre as regiões, o Centro-Oeste se destacou ao registrar uma leve recuperação na confiança, com o Icei subindo 0,7 ponto, alcançando 50,4 pontos. Essa elevação coloca a região acima da linha de 50.
O Nordeste, apesar de permanecer em um campo positivo, viu seu indicador recuar 0,7 ponto, atingindo 50,8 pontos. No Norte, o índice avançou 2,7 pontos, alcançando 48,6, embora ainda permaneça em território de falta de confiança.
Por outro lado, o Sudeste apresentou o pior desempenho entre as regiões, com uma queda de 0,9 ponto no Icei, que agora se encontra em 45,7 pontos, aprofundando o pessimismo entre os empresários locais. No Sul, o indicador permaneceu praticamente estável em 45,7 pontos, mantendo a atmosfera de desconfiança.
Cenário de pessimismo por porte
A pesquisa também revela um agravamento do pessimismo entre as médias indústrias, com o Icei desse grupo caindo 1 ponto, para 46,3 pontos. As pequenas empresas apresentaram um recuo de 0,1 ponto, atingindo 46,2 pontos, enquanto as grandes indústrias mantiveram-se estáveis em 48 pontos.
A CNI alerta que a continuidade da baixa confiança tende a restringir decisões de investimento e expansão da produção, o que pode impactar negativamente o ritmo de crescimento da atividade industrial nos próximos meses.
