NASA descobre rochas de mais de 3,9 bilhões de anos em Marte

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Descobertas em Marte revelam evidências geológicas de 3,9 bilhões de anos.

Pesquisadores identificaram evidências geológicas em Marte que datam de mais de 3,9 bilhões de anos, encontradas em rochas na região da Cratera Jezero. Essa descoberta, realizada pelo rover Perseverance, pode proporcionar uma compreensão mais profunda de um período da história do Sistema Solar que foi quase completamente apagado da Terra por processos geológicos.

As rochas analisadas estão localizadas na borda da Cratera Jezero, que já era alvo de interesse científico por sugerir a presença de um lago em tempos passados. No entanto, as formações geológicas reveladas são ainda mais antigas do que a própria cratera, tornando-se o mais antigo terreno já investigado por um rover em Marte.

A estrutura em questão é chamada de membro Broom Point. Esta formação é composta por uma sequência de aproximadamente 75 metros de espessura, formada por diversas camadas de rochas que se acumularam ao longo de um extenso período. Essas camadas não se originaram de um único evento geológico, mas foram gradualmente construídas a partir de detritos resultantes de sucessivos impactos de asteroides durante um período violento da história do Sistema Solar.

O Perseverance, desde sua saída da cratera, vem explorando uma nova fronteira geológica, revelando um capítulo da história marciana que precede a própria cratera. Marte preservou registros que foram destruídos na Terra, onde a história geológica mais antiga foi fragmentada e deformada pela tectônica de placas. A ausência desse processo em Marte permite que o registro antigo permaneça intacto, oferecendo uma visão rara de um período geológico que não existe mais em nosso planeta.

Após descer a borda oeste da Cratera Jezero, o Perseverance utilizou seus instrumentos científicos para examinar a formação Broom Point, identificando seis tipos distintos de rochas. Entre elas, foram encontradas brechas compostas por fragmentos de rochas quebradas misturadas a finas camadas de poeira rochosa. Alguns fragmentos apresentavam cavidades deixadas por antigas bolhas de gás, indicando que já estiveram fundidos.

Os cientistas também descobriram uma grande quantidade de pequenas partículas escuras com aparência vítrea, distribuídas por toda a formação. Embora vulcões possam produzir materiais semelhantes, a quantidade encontrada sugere que a origem mais provável é a de impactos de asteroides. As maiores partículas têm dimensões comparáveis ao material lançado na atmosfera pelo impacto do asteroide de Chicxulub, que ocorreu há cerca de 66 milhões de anos e contribuiu para a extinção dos dinossauros na Terra.

A repetição dos diferentes tipos de rochas levou os pesquisadores a concluir que a região foi atingida por diversos impactos ao longo do tempo, formando uma espessa sequência rochosa. Cada impacto depositou uma nova camada de detritos, resultando na formação observada atualmente. As diferentes camadas de rocha são um registro de impactos de tamanhos variados ocorrendo em diferentes distâncias da área de acumulação.

Além disso, algumas camadas podem ter sido formadas por fluxos rápidos de detritos próximos à superfície. Na Terra, fenômenos semelhantes ocorrem quando material quente entra em contato com água ou gelo, gerando vapor rapidamente. Isso sugere que água ou gelo podem ter desempenhado um papel na formação dessas rochas em Marte.

A inclinação das camadas de rocha também chamou a atenção da equipe. Algumas camadas apresentam ângulos superiores a 80 graus, encontrando-se praticamente na posição vertical. Os pesquisadores especulam que a Cratera Jezero, com cerca de 45 quilômetros de diâmetro, não seria suficiente para explicar essa deformação. A hipótese é que a região tenha sido moldada por dois grandes impactos em momentos distintos.

O primeiro impacto teria formado a Bacia Isidis, uma estrutura de aproximadamente 1.930 quilômetros de diâmetro, que provavelmente inclinou e deformou as camadas. Posteriormente, outro asteroide atingiu a área, formando a Cratera Jezero e fragmentando as rochas já inclinadas.

Para determinar a cronologia desses eventos, a equipe do Perseverance coletou duas amostras de núcleo de rocha, chamadas Bell Island e Main River. Se uma futura missão conseguir trazer essas amostras para a Terra, os pesquisadores poderão utilizar instrumentos laboratoriais para determinar com precisão a idade das rochas e estimar a frequência de impactos de asteroides em Marte e na Terra prim

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