Mauro Vieira classifica declarações de Milei como ríspidas, grosseiras e inaceitáveis
Ministro das Relações Exteriores critica declarações de presidente argentino durante convenção política no Brasil.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, expressou forte descontentamento em relação às declarações do presidente argentino, Javier Milei, durante a convenção nacional do PL, onde foi oficializada a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência.
Milei se dirigiu ao presidente Lula como “presidiário” e fez comentários pejorativos sobre o ministro Alexandre de Moraes, chamando-o de “lixo careca”. Vieira classificou essas declarações como “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”, enfatizando a gravidade do episódio e a necessidade de uma explicação do governo argentino sobre tal comportamento em solo brasileiro.
Em entrevista, o chanceler destacou a importância do diálogo entre nações, afirmando que a diplomacia deve ser construída por meio de conversas. Ele também convocou o embaixador argentino, Daniel Raimondi, para transmitir a repulsa do Brasil às ofensas proferidas por Milei e buscar esclarecimentos sobre suas declarações.
Além disso, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado para consultas, um ato que, no meio diplomático, é considerado um forte protesto contra as ações de um outro Estado. Bitelli deve retornar a Brasília para discutir a situação.
O Itamaraty, em nota, lamentou a falta de precedentes para um presidente estrangeiro fazer agressões e ofensas a um chefe de Estado e às instituições democráticas em território nacional. A nota ressaltou a importância da relação entre Brasil e Argentina, que perdura por 203 anos, destacando a Argentina como o principal parceiro comercial do Brasil.
Durante a convenção do PL, Milei também defendeu a inocência de Jair Bolsonaro, afirmando que ele foi preso “injustamente” e criticou a decisão de Moraes de negar uma visita ao ex-presidente. O argentino se posicionou como um grande amigo de Bolsonaro, incentivando Flávio a se preparar para os desafios da campanha, mencionando que os opositores “vão jogar duro”.
