Governo Lula alerta sobre possível interferência externa nas redes após apoio de Trump e Milei a Flávio
Governo Lula expressa preocupação com interferências externas nas eleições brasileiras.
Integrantes do governo e da coordenação da pré-campanha do presidente Lula interpretaram a recente ofensiva dos presidentes dos Estados Unidos e da Argentina em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro como tentativas de interferência estrangeira na eleição brasileira. Há um temor crescente de que essas investidas se intensifiquem conforme a data da votação se aproxima.
A preocupação se concentra especialmente nos dias que antecedem a eleição, marcada para 4 de outubro, com ênfase nas redes sociais. A pressão de líderes estrangeiros sobre grandes empresas de tecnologia, como a plataforma X e a Rumble, já levantou questionamentos sobre sua atuação nos últimos anos.
Aliados de Lula esperam que o Tribunal Superior Eleitoral tome medidas preventivas para barrar o uso de ferramentas de inteligência artificial nas campanhas. No entanto, a avaliação entre os membros do grupo político é de que uma ação coordenada não poderia ser completamente evitada.
Nas últimas semanas, em conversas reservadas, Lula mencionou que o atual cenário eleitoral é distinto de outros, devido à possibilidade de intervenções externas. Os embates políticos se acirraram após a convenção do PL, onde Flávio foi escolhido candidato à Presidência, com a participação ativa do presidente argentino.
Em resposta a questionamentos da imprensa, Lula ironizou Javier Milei, indagando “quem é esse cara?”, enquanto o presidente argentino criticou o petista em suas redes sociais. A tensão aumentou com a manifestação de apoio de Milei a Flávio, que, segundo ele, poderia “parar Lula”. Durante seu discurso, Milei também desferiu ataques ao ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Essas declarações provocaram uma crise diplomática. Lula decidiu convocar de volta o embaixador brasileiro na Argentina, uma medida considerada drástica. Paralelamente, o ministro das Relações Exteriores se reuniu com o embaixador argentino no Brasil, expressando “repulsa” aos comentários de Milei.
Na convenção do PL, foi exibido um vídeo gerado por inteligência artificial com Jair Bolsonaro, no qual ele afirma que Flávio é seu sucessor. Essa ação foi vista como uma tentativa de testar os limites das regras eleitorais, uma vez que Jair Bolsonaro está proibido de aparecer em redes sociais por decisão judicial.
Informações recentes indicam que Donald Trump planejava enviar assessores ao Brasil para questionar a integridade do processo eleitoral. O Itamaraty negou vistos a esses funcionários, intensificando a vigilância sobre as relações entre a família Bolsonaro e o governo americano.
O governo brasileiro está atento à proximidade da família Bolsonaro com a administração Trump. Flávio Bolsonaro já se reuniu com o presidente americano na Casa Branca, enquanto Eduardo Bolsonaro atua junto ao Departamento de Estado americano em defesa dos interesses de seu grupo político.
Em junho, o governo Trump classificou facções criminosas brasileiras como terroristas, uma medida que ressoou entre a base política bolsonarista. Embora inicialmente o Planalto minimizasse a possibilidade de intervenção nas eleições, a imprevisibilidade do governo americano e os ataques recorrentes em um período de um ano geraram incertezas.
Além disso, o governo americano já havia citado o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe como um dos fatores para a aplicação de sanções econômicas ao Brasil, o que inicialmente animou forças políticas de direita, mas que posteriormente trouxe desgaste ao grupo político de Bolsonaro.
Recentemente, Lula comentou sobre os ataques de Milei durante a convenção de Flávio Bolsonaro, evidenciando a tensão entre os dois países. O ministro das Relações Exteriores se reuniu com o embaixador argentino, reforçando a posição do Brasil em defesa da soberania nacional.
