Terremoto de magnitude 6,8 no Japão surpreende por sua intensidade e efeitos diferentes
Terremoto de 6,8 atinge sudoeste do Japão, causando danos significativos e evacuação em massa.
Um forte terremoto abalou o sudoeste do Japão nesta terça-feira, resultando em danos a infraestruturas e forçando a evacuação de mais de 150 mil pessoas. O tremor, que ocorreu próximo à cidade de Kumamoto, na ilha de Kyushu, provocou o desabamento parcial de um shopping center e afetou o histórico Castelo de Kumamoto.
O evento sísmico foi registrado às 4h27 (horário de Brasília) e teve sua magnitude calculada em 6,8 pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, enquanto a Agência Meteorológica do Japão estimou uma magnitude de 7,1. A discrepância se deve a diferentes métodos utilizados para medir a intensidade do tremor.
A magnitude local, utilizada pela agência japonesa, mede a intensidade da vibração do solo nas proximidades do epicentro. Em contraste, o método de magnitude de momento, aplicado pelo USGS, considera o tamanho físico da ruptura da falha geológica, sendo mais preciso para grandes terremotos.
O terremoto causou sérios danos na região, deixando milhares de residências sem energia elétrica e danificando diversas estradas. Parte do segundo andar do shopping center desabou, resultando em pessoas presas no local, algumas das quais foram resgatadas e encaminhadas a hospitais.
O Castelo de Kumamoto, um dos mais importantes monumentos históricos do Japão, também sofreu danos, com parte de um muro de pedra desmoronando devido ao tremor. Após o evento, as autoridades emitiram um alerta de tsunami, que foi cancelado menos de uma hora depois.
Por que o terremoto chamou atenção dos cientistas?
Embora o Japão esteja situado em uma região tectônica ativa, este terremoto apresentou características incomuns. Normalmente, os maiores terremotos no país ocorrem na zona de subducção entre a Placa do Mar das Filipinas e a Placa Eurasiática. No entanto, a ruptura deste evento ocorreu no interior da Placa Eurasiática, a mais de 100 quilômetros das bordas entre as placas tectônicas.
Pesquisadores indicam que cerca de 90% dos terremotos acontecem nas bordas das placas, enquanto os tremores intraplaca são raros e ainda pouco compreendidos. O sismólogo Jeffrey Park, da Universidade Yale, destacou que o deslocamento observado neste terremoto sugere uma ruptura horizontal, causada pelas forças de subducção.
O USGS classificou o evento como uma ruptura rasa do tipo strike-slip, onde os lados da falha deslizam horizontalmente. A profundidade de apenas dez quilômetros contribuiu para os danos significativos na superfície.
Por que não houve um grande tsunami
Os especialistas afirmam que o terremoto não gerou um tsunami significativo, pois toda a ruptura ocorreu em terra firme. Tsunamis geralmente são provocados por eventos que deslocam grandes volumes de água, o que não ocorreu neste caso.
Embora a falha tenha permanecido em terra, cientistas alertam que terremotos continentais podem causar tsunamis se resultarem em grandes deslizamentos de terra que atinjam áreas costeiras.
País deve registrar novas réplicas
Especialistas preveem novos tremores secundários nos próximos dias. O Japão, que registra cerca de 1,5 mil terremotos anualmente, investiu fortemente em sistemas de prevenção e resposta a desastres após eventos catastróficos anteriores.
Entre as medidas implementadas, destacam-se redes de alerta precoce que detectam rapidamente grandes terremotos e interrompem serviços essenciais, como os trens-bala, que param imediatamente ao detectar tremores intensos.
Esses investimentos têm contribuído para a redução do número de vítimas em comparação a outros países, mesmo diante de terremotos de grande magnitude próximos a áreas densamente povoadas.
As operações de busca e resgate continuam em Kumamoto, onde entre 20 e 30 funcionários permanecem desaparecidos no shopping Aeon Mall. Equipes de emergência estão ativas na área, enfrentando
