Vacas monitoradas por inteligência artificial são utilizadas como garantia de empréstimo pela primeira vez no Brasil
Inovação no agronegócio: vacas monitoradas por IA agora são garantia de empréstimos no Brasil.
O uso de animais como garantia em empréstimos não é uma prática nova para os produtores rurais, mas a introdução de tecnologias de monitoramento traz um novo ânimo para esse modelo. O Brasil acaba de registrar a primeira operação de crédito com um rebanho tokenizado como garantia.
Com a utilização de um token, as instituições financeiras têm acesso a dados coletados por dispositivos que monitoram a saúde e a localização de cada animal, aumentando a segurança para os credores. Essa inovação foi implementada pela Target FIDC, que gerenciou a operação.
No caso do empréstimo pioneiro, dez vacas foram avaliadas em R$ 120 mil, o que possibilitou a liberação de R$ 100 mil para a fazenda Engenho Velho, localizada em Belo Horizonte (MG).
Historicamente, operações com animais eram vistas como arriscadas. Uma vaca avaliada em R$ 20 mil, por exemplo, costumava ser considerada apenas R$ 8 mil em garantia devido à falta de informações sobre sua saúde e localização. Essa incerteza gerava penalidades nas operações financeiras, como a redução do valor da garantia ou aumento de custos.
Normalmente, o uso de animais como garantia ocorre em empréstimos de menor valor, voltados para custeio de safra ou capital de giro. Os produtores rurais frequentemente preferem usar propriedades como garantia em operações de maior montante.
Funcionamento da tecnologia
A tecnologia de monitoramento foi desenvolvida pela Cowmed e consiste em um colar inteligente que acompanha diversos aspectos da saúde do animal, como alimentação, descanso, respiração e temperatura. Esses dados permitem prever a saúde do animal e identificar possíveis doenças.
Embora as informações sejam acessíveis ao banco, o colar é contratado pelo pecuarista para melhorar o manejo dos animais. O proprietário da fazenda Engenho Velho, que utiliza essa tecnologia há uma década, destaca a importância dos dados para a saúde do rebanho.
O processo de tokenização envolve a seleção dos animais e a criação de um código único na blockchain, que garante a segurança e a rastreabilidade dos ativos. Essa abordagem também impede que o mesmo animal seja utilizado como garantia em múltiplos empréstimos.
O colar também registra a produção de leite, acumulando um histórico completo da vida produtiva do animal.
E se o animal morrer?
Em caso de morte de um animal, o banco é imediatamente informado e a responsabilidade de reposição recai sobre o produtor, dependendo do saldo da dívida. O contrato estipula uma razão de garantia, exigindo que o valor dos animais seja 1,2 vezes maior que o montante do empréstimo.
Conforme a dívida é quitada, a equivalência de garantia deve ser mantida, o que pode permitir que, em algumas situações, a reposição do animal não seja necessária.
O diretor da Target FIDC acredita que esse modelo de garantia será mais valorizado pelo mercado financeiro em comparação a garantias tradicionais, como automóveis e imóveis, que apresentam riscos e custos adicionais.
O gado, por ser uma commodity, possui maior liquidez e pode ser vendido rapidamente, facilitando o processo de recuperação em caso de inadimplência.
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