Vestígios e Fragmentos em Foco

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Reflexões sobre a passagem do tempo e o legado da poesia.

As palavras do poeta Mario Quintana ecoam em nossa memória, trazendo à tona a fragilidade da vida e as marcas que deixamos. “Quando eu for, um dia desses, poeira ou folha levada no vento da madrugada, serei um pouco do nada (…)”. Essa reflexão nos convida a considerar o que realmente importa em nossa jornada.

Fernando Pessoa, em seus últimos dias, expressou sua incerteza sobre o futuro: “Não sei o que o amanhã me trará”. Apesar de sua vasta obra, ele temia o reconhecimento que seu legado receberia das novas gerações. Essa preocupação não era exclusiva dele; outros escritores, como Ricardo Güriraldes, também lamentavam a efemeridade da memória, afirmando que as pegadas do escritor seriam apagadas pelo primeiro vento.

Esses pensamentos nos levam a um momento de introspecção, onde somos convidados a refletir sobre o que deixamos para trás. Medos, segredos e epifanias se acumulam em nosso ser, formando um tesouro emocional que muitas vezes esquecemos. A cidade ao nosso redor pode ter mudado, e os velhos amigos podem não estar mais presentes, mas as lembranças ainda permanecem vivas.

Recordamos o olhar furtivo da nossa primeira namorada, a lata de goiabada recebida na Festa do Divino, o cheiro do cavalo no nosso primeiro galope, a voz da mãe recitando quadrinhas na hora de dormir e o som distante de um piano em noites mal dormidas.

Buscamos a coragem de nossos pais e a doçura de nossos avós, mas frequentemente nos deparamos com receios e interrogações. Contudo, é nas melodias que vêm dos altos morros que encontramos esperança, anunciando felicidades que ainda estão por vir.

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