Mendonça autoriza monitoramento de telefone de Jaques Wagner por suspeita de vazamento de operação
Ministro do STF autoriza monitoramento de celular de senador em investigação sobre fraudes bancárias.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, deu autorização à Polícia Federal para monitorar o celular do senador Jaques Wagner, em meio a uma investigação sobre fraudes relacionadas ao Banco Master. A decisão foi motivada por indícios de vazamentos de informações que poderiam comprometer a operação.
Informações indicam que o senador esteve no Supremo para se reunir com Mendonça um dia antes da operação ser deflagrada, levantando suspeitas sobre sua conduta. A medida de monitoramento inclui acesso em tempo real à localização do celular e registros de chamadas, devido a um “risco agudo de vazamento” das investigações.
Além de Wagner, outros alvos da investigação incluem o empresário Augusto Lima e familiares do senador, como seu enteado e pai. A Polícia Federal busca esclarecer se o senador recebeu pagamentos relacionados ao Banco Master através da empresa de sua nora e investiga a aquisição de um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões.
A decisão de Mendonça, datada de 23 de junho, foi tornada pública recentemente. O ministro destacou a importância do monitoramento para evitar a destruição de provas, uma vez que já houve casos anteriores de antecipação de ações policiais na investigação do Banco Master.
O acesso aos dados de localização foi considerado “operacionalmente relevante” para a eficácia da operação. Mendonça enfatizou que a solicitação de audiência por parte de um dos investigados ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Federal apresentou representações relacionadas à fase atual da investigação.
O monitoramento será restrito a terminais e alvos específicos, com um prazo de dez dias para a análise. O ministro deixou claro que não autorizou o acesso ao conteúdo das comunicações, permitindo apenas o acesso a dados técnicos e metadados necessários para a localização dos terminais.
A investigação se baseia em material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio de um dos envolvidos no Banco Master. Mensagens trocadas entre Wagner e Lima indicam uma possível relação entre o senador e transações financeiras suspeitas, incluindo a solicitação de dados do proprietário de um imóvel.
Além disso, a Polícia Federal identificou um pagamento significativo de R$ 3,5 milhões de uma empresa ligada a Augusto Lima para o “núcleo familiar” de Wagner, o que levanta questões sobre a proximidade entre os envolvidos. O pagamento ocorreu após a venda do Banco Master ter sido barrada pelo Banco Central.
Wagner, em declarações anteriores, criticou a ação da Polícia Federal, chamando-a de “patacoada” e negando qualquer irregularidade em suas relações com o banco. Ele defendeu que a investigação está criminalizando interações legítimas e que a PF não conseguirá provar a existência de uma relação de troca.
Além disso, Mendonça também autorizou a abertura de um inquérito para investigar suspeitas de corrupção e tráfico de influência em negociações sobre cannabis medicinal, com a defesa de um dos envolvidos negando irregularidades e sugerindo possíveis motivações políticas por trás da investigação.
