Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades em alianças e aposta em Tarcísio como último recurso
Isolamento de Flávio Bolsonaro marca cenário político nas convenções partidárias.
As recentes recusas de partidos como PP e União Brasil, além das prováveis rejeições de Republicanos e Podemos, deixaram Flávio Bolsonaro (PL) sem alianças significativas ao final do período de convenções partidárias. O único apoio expressivo que o senador possui é do seu próprio partido, o PL.
Aliados de Flávio tentam reverter essa situação apostando no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). No entanto, membros do Republicanos e do Podemos indicam que a tendência é que ambos permaneçam neutros na disputa presidencial, permitindo que seus diretórios estaduais apoiem candidatos que melhor se alinhem com suas estratégias locais para a eleição de congressistas.
O Republicanos realizará sua convenção em Brasília na próxima terça-feira, e Tarcísio mantém diálogo constante com a liderança do partido sobre a eleição. O governador estará presente na convenção estadual do partido em São Paulo no próximo sábado.
Por outro lado, o Podemos deixou a decisão sobre alianças a cargo de sua Executiva nacional, liderada pela deputada Renata Abreu, com prazo até 5 de agosto para registrar candidaturas.
Com a rejeição do PP e a provável negativa do Republicanos, Flávio Bolsonaro enfrenta um cenário de isolamento, contando apenas com o apoio do PL. Essa situação resultará em uma desvantagem significativa em termos de tempo de propaganda eleitoral na TV e no rádio, com Flávio tendo apenas 20% do tempo disponível em comparação a Lula, que conseguiu unir partidos de esquerda e centro-esquerda ao seu redor.
Flávio terá 4 minutos e 20 segundos de propaganda em cada bloco de um programa eleitoral de 12 minutos e 30 segundos, enquanto Lula contará com 5 minutos e 32 segundos. Além deles, apenas Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) terão direito a propaganda na disputa presidencial, com 2 minutos e 2 segundos e 36 segundos, respectivamente.
No Republicanos, apesar dos esforços de Tarcísio, a tendência é de que o partido opte pela neutralidade na eleição presidencial, conforme afirmam parlamentares e dirigentes. Essa posição reflete o desejo da maioria da legenda em manter a liberdade para formar alianças regionais sem estar atrelada a uma candidatura presidencial vista como problemática.
Em troca de apoio, Flávio ofereceu ao Republicanos a vice na chapa, proposta que inclui Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Contudo, essa indicação não gera entusiasmo entre os dirigentes do partido, uma vez que Daniella é nova na legenda.
Para contornar as resistências, aliados de Flávio começaram a considerar o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) para a vaga de vice. No entanto, sua proximidade com Caiado e a intenção de se reeleger como deputado dificultam essa possibilidade.
Além disso, a campanha de Flávio também cogitou indicar Pereira para uma vaga no STF, ideia que foi publicamente rejeitada pelo presidente do partido.
A perda de força de Flávio, após a revelação de que ele recebeu dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, diminuiu suas chances de formar alianças. Pesquisas internas indicam que essa situação fragilizou sua candidatura, considerada anteriormente competitiva. Flávio defende que o dinheiro recebido era apenas para custear o longa-metragem sobre Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, há relatos de insatisfações do presidente do Republicanos em relação ao PL, incluindo o vazamento de uma suposta negociação para uma vaga no STF. Além disso, há descontentamento com a insistência do PL em filiar Tarcísio e com declarações do clã Bolsonaro que desmerecem o partido.
Políticos do Republicanos afirmam que a maioria dos diretórios prefere a neutralidade, seja por estarem alinhados com a chapa governista em seus estados ou por divergências locais com o PL.
Aliados de Lula também tentaram atrair o Podemos, que cresceu consideravelmente na janela partidária de março, agora contando com 27 deputados federais. Conversas entre o ministro de Relações Institucionais e a cúpula do Podemos foram positivas, mas não resultaram em uma aliança formal, embora tenham aberto espaço para discussões sobre uma participação mais expressiva do partido em um possível governo Lula.
O PL, por sua vez, considerou a possibilidade de
