Investidores expressam preocupação com fenômeno da IA enquanto líderes buscam tranquilizar o mercado
Investidores demonstram desconfiança em relação aos gastos com inteligência artificial, impactando o setor de tecnologia na bolsa dos EUA.
A semana foi marcada por incertezas para o setor de tecnologia na bolsa de valores dos Estados Unidos, impulsionadas pela desconfiança dos investidores em relação aos gastos com inteligência artificial.
Recentemente, grandes empresas como Amazon, Google, Meta e Microsoft anunciaram um investimento conjunto de US$ 660 bilhões na expansão da IA para este ano, representando um aumento de 60% em comparação com os gastos de 2025.
Entretanto, a Alphabet, controladora do Google, fez uma declaração que contribuiu para a queda nas ações de tecnologia, resultando no fechamento do índice Nasdaq em seu nível mais baixo em mais de dois meses.
Apesar do pessimismo geral, os planos de aumento nos investimentos em IA trouxeram um alívio temporário para as ações da Nvidia e da AMD, principais fabricantes de chips para essa tecnologia. Após três dias de perdas, empresas de software e serviços de dados também conseguiram recuperar parte da queda, que havia sido provocada pelo temor de que a IA pudesse reduzir a demanda por negócios tradicionais.
Esse medo afetou negativamente empresas como Oracle, Palantir, Salesforce e SAP, mas foi considerado “ilógico” pelo CEO da Nvidia, Jensen Huang, que expressou suas opiniões em um evento da Cisco.
“Existe essa noção de que as ferramentas no setor de software estão em declínio e serão substituídas pela IA… É a coisa mais ilógica do mundo, e o tempo provará isso”, afirmou Huang.
Outros líderes de grandes empresas de tecnologia também ecoaram esse pensamento ao longo da semana. Sundar Pichai, do Google, ressaltou que a IA tem sido uma ferramenta capacitadora para produtos e serviços, e que as empresas de software têm uma oportunidade semelhante pela frente.
O índice Nasdaq terminou a semana com uma queda acumulada de quase 2%, refletindo a volatilidade do mercado.
Nervosismo se justifica?
Kristina Hooper, estrategista-chefe de mercado, comentou que, assim como em qualquer grande inovação tecnológica, existe um período de entusiasmo seguido por uma fase de maior discernimento.
Em 2025, a crescente demanda por ações de empresas ligadas à IA havia impulsionado os índices da bolsa americana. Contudo, no fim de janeiro, a Microsoft enfrentou uma perda de US$ 400 bilhões em valor de mercado em um único dia, após a divulgação de resultados financeiros que mostraram um aumento na receita com serviços em nuvem, mas uma diminuição na margem de lucro devido aos investimentos em data centers para IA.
As preocupações sobre o impacto da IA em outros setores, como ferramentas de software e serviços de análise de dados, aumentaram com o lançamento de novos softwares pela Anthropic, que são voltados para automação em ambientes corporativos.
“Antes, era como se a ‘IA levantasse todos os barcos'”, comentou Matthew Miskin, coestrategista-chefe de investimentos.
Ele destacou que agora existem preocupações de que a rápida aceleração no setor tecnológico possa levar a um crescimento desigual entre os negócios.
Huang, durante sua apresentação na conferência da Cisco, buscou dissipar esses temores, afirmando que tanto humanos quanto robôs utilizariam ferramentas em vez de reinventá-las. Ele concluiu que os avanços em IA estão focados no uso de ferramentas, que são projetadas para serem explícitas.
