Milei critica Lula, chamando-o de ladrão, corrupto e condenado

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Crise diplomática entre Argentina e Brasil se intensifica com ataques de Milei a Lula.

O presidente da Argentina, Javier Milei, intensificou suas críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de “ladrão” e “corrupto”. As declarações foram feitas em uma entrevista ao jornal La Nación, aumentando a tensão diplomática entre os dois países.

Milei, ao comentar as reações que recebeu após sua participação na convenção nacional do Partido Liberal em São Paulo, questionou a situação jurídica de Lula. Ele afirmou que Lula não é inocente nos processos relacionados à Operação Lava Jato, reiterando suas acusações de corrupção.

“É um ladrão, é um corrupto, foi condenado por ser ladrão e corrupto, ficou preso, por isso também é verdade o que disse sobre ser presidiário.”

O presidente argentino também alegou que a libertação de Lula se deu por uma “falha administrativa do processo” e não por sua inocência. As condenações de Lula foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, que reconheceu a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar os casos e a parcialidade do então juiz Sergio Moro.

Milei continuou a criticar o governo brasileiro, afirmando que as acusações contra ele são baseadas em “mentiras”. Ele se defendeu dizendo que responde com verdades, e voltou a atacar Lula, chamando-o de “vigarista”.

“O pior é que me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti. Quando respondo com verdades, o senhor Lula se sente atacado? Ele é um vigarista e um ladrão.”

Acusações de interferência

Durante a mesma entrevista, Milei acusou Lula de interferir politicamente em outros países da América Latina e de espalhar ideias socialistas na região. No entanto, não apresentou provas ou exemplos concretos para sustentar suas alegações.

Ele mencionou que o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro teria informado que o governo brasileiro investiu US$ 1 bilhão em uma campanha para desacreditá-lo. Milei também insinuou que assessores brasileiros estariam envolvidos em uma operação de comunicação contra seu governo.

“Isso disse Eduardo Bolsonaro outro dia. Então, esses que falam de interferência política, se há alguém que interfere politicamente na região foi Lula, contaminando com as ideias imundas do socialismo por todos os lados.”

O presidente argentino ainda afirmou que as críticas que recebe têm um tratamento diferente das ofensas dirigidas a outros líderes latino-americanos e europeus, como Gustavo Petro, Evo Morales, Rafael Correa e Pedro Sánchez.

“Quando me insultam, está tudo bem. Agora, se eu respondo, está errado.”

Crise diplomática

Essas novas declarações de Milei ocorreram uma semana após sua participação na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Durante o evento, ele já havia atacado Lula e o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Após os comentários de Milei, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, convocou o embaixador argentino, Daniel Raimondi, para expressar a “repulsa” do governo brasileiro e exigir explicações. O Itamaraty também convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas.

O retorno de Bitelli à Argentina, que estava previsto para ocorrer em breve, pode ser adiado devido às novas declarações de Milei. A permanência do diplomata em Brasília é um sinal de descontentamento do governo brasileiro, embora não tenha sido anunciada uma ruptura formal nas relações diplomáticas.

Na semana passada, o chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou que não havia possibilidade de rompimento com o Brasil, que é o principal parceiro comercial da Argentina. Contudo, as recentes falas de Milei elevaram novamente a tensão entre os dois governos.

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