PF apura relações de advogado próximo a Flávio em operação sobre o INSS
Polícia Federal realiza nova fase da Operação Sem Desconto em investigação sobre fraudes no INSS.
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, novos mandados de busca e apreensão relacionados à Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Entre os alvos das ações está o advogado Willer Tomaz, conhecido por sua proximidade com o candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Na manhã do dia 4 de agosto, os agentes da PF realizaram buscas na residência de Willer, localizada no Lago Sul, em Brasília. Durante a CPI da Covid, em 2021, Flávio Bolsonaro se referiu a Willer como seu “amigo”, e o advogado confirmou a amizade, destacando que nunca negou suas relações com senadores de diferentes espectros políticos.
Em decisão do ministro do STF, André Mendonça, a PF identificou Willer Tomaz como uma figura central em um esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa. A investigação revelou que uma estrutura vinculada ao advogado operava como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” para beneficiar o senador Weverton Rocha, vice-líder do governo no Senado.
Willer é descrito como o articulador que oferecia suporte por meio de diversas empresas e ativos, incluindo imóveis e aeronaves. Um dos focos da investigação é a aquisição de uma casa no Lago Sul, em Brasília, avaliada em R$ 6 milhões, que, segundo a PF, foi negociada com a participação de Weverton Rocha, que reside no imóvel registrado em nome de uma empresa associada a Willer.
A PF também descobriu que Samya Rocha, esposa do senador, recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas a Willer. Os repasses foram registrados sob a sigla “AT”, que se refere ao escritório de advocacia do investigado.
Além disso, diálogos revelaram que Fayla Zulmira Menezes, uma operadora financeira, consultava Willer sobre saldos e pagamentos solicitados diretamente por Weverton Rocha. A PF destacou que as sociedades de Willer estavam integradas nas movimentações financeiras investigadas.
A corporação obteve autorização judicial para realizar buscas em endereços relacionados a Willer e suas empresas, além de quebrar o sigilo de dados telefônicos para rastreamento em tempo real, uma medida necessária devido ao acesso do advogado a meios de transporte que poderiam facilitar sua fuga.
Em nota, Willer Tomaz alegou que a busca e apreensão resultam apenas de sua propriedade de uma aeronave utilizada por Weverton Rocha de forma pessoal e que não está sendo investigado na Operação Sem Desconto. Ele enfatizou que a disponibilização da aeronave foi estritamente amistosa e não relacionada às fraudes investigadas.
OUTRO LADO
Parentes de Weverton Rocha também estão sendo investigados. A assessoria do senador foi contatada para uma manifestação, mas não houve resposta até o fechamento deste texto. O mesmo ocorreu com a assessoria de Flávio Bolsonaro, que também foi procurada para se manifestar sobre a nova fase da operação.
OPERAÇÃO SEM DESCONTO
A Operação Sem Desconto resultou no cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão em diferentes localidades, incluindo o Distrito Federal e o Maranhão, todos expedidos pelo STF.
As investigações tiveram início após a identificação de movimentações financeiras suspeitas, realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas, que buscavam ocultar a origem e a destinação dos recursos envolvidos.
A PF continua a apuração para esclarecer a origem dos recursos, a finalidade dos repasses e a individualização das condutas dos investigados. A operação foi lançada em 23 de abril de 2025, visando a apuração de fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios do INSS, incluindo cobranças de mensalidades associativas sem a autorização dos beneficiários.