Inteligência Artificial supera barreira linguística na cobertura de enchente em Lajeado

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Inteligência artificial auxilia repórter em cobertura de enchentes no Vale do Taquari.

Durante a cobertura das enchentes em Lajeado, no Vale do Taquari, um repórter enfrentou a barreira do idioma ao tentar se comunicar com um imigrante de Bangladesh. A situação, comum no Jornalismo de rua, ganhou um novo desfecho com o uso da inteligência artificial.

A experiência ocorreu em uma entrada ao vivo no ‘Balanço Geral RS’ em julho. No dia anterior, o jornalista já havia encontrado imigrantes de Bangladesh, Gana e Haiti no Parque do Imigrante, mas a dificuldade de comunicação impediu conversas mais profundas, gerando frustração e a busca por alternativas.

Teoria e prática

“No caminho para Lajeado, pensei se uma IA poderia fazer a tradução simultânea”, contou o repórter. Antes de iniciar a cobertura, ele testou diferentes plataformas, como ChatGPT, Claude e Gemini, mas ainda havia incertezas sobre a eficiência da tecnologia em uma situação real.

A oportunidade de testar a IA surgiu quando a equipe encontrou um trabalhador em uma das áreas mais afetadas pela cheia. Após tentativas frustradas de comunicação em português, o homem revelou ser de Bangladesh. O repórter então utilizou o ChatGPT para traduzir entre os idiomas.

Essa estratégia possibilitou a realização da entrevista. O imigrante compartilhou que, embora estivesse acostumado com enchentes em seu país, era a primeira vez que vivia uma situação semelhante no Brasil, que também enfrentava tragédias relacionadas a desastres naturais.

Para o jornalista, a tecnologia permitiu revelar uma realidade muitas vezes invisível. “Alguém que deixou tudo para trás para tentar uma nova vida acaba enfrentando problemas semelhantes. Muitos vivem em áreas vulneráveis às enchentes”, observou.

Segundo ele, a experiência trouxe um elemento de incerteza. “Foi a primeira vez que usei esse tipo de ferramenta. Havia uma adrenalina, pois poderia ter dado errado. Felizmente, conseguimos transmitir a história daquele rapaz.”

O episódio destaca como a inteligência artificial já está integrada à rotina das redações, atuando não apenas na produção de conteúdo, mas também como apoio em campo. Contudo, o repórter ressalta que a tecnologia deve ser vista como um recurso complementar.

O que a IA não substitui

“Precisamos aprender a usar a inteligência artificial de forma consciente e ética, ajudando a romper barreiras, como a do idioma”, afirma. Apesar dos avanços, ele acredita que há aspectos insubstituíveis na profissão. “É difícil imaginar que a IA possa substituir o afeto, o abraço e o calor humano que compartilhamos em coberturas sensíveis como as enchentes.”

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