Soraya critica hostilidade da política em relação às mulheres e afirma que são tratadas como inferiores
Senadora critica a participação feminina na política e aponta desafios enfrentados
Em recente entrevista, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) abordou a questão da participação feminina na política, afirmando que, apesar dos avanços, ainda são insuficientes. Ela criticou as barreiras enfrentadas na tramitação de projetos voltados para as mulheres.
A parlamentar enfatizou o ambiente hostil em que as mulheres atuam na vida pública. “Nosso trabalho para aumentar a presença feminina na política busca tornar o meio político menos agressivo”, declarou, ressaltando a necessidade de um espaço mais acolhedor.
Apesar de sua longa trajetória legislativa, Soraya expressou frustração com os resultados obtidos. “Após oito anos de luta, os avanços na tramitação de projetos de lei ainda são limitados”, lamentou.
Entre as iniciativas que defende, está um projeto que visa assegurar que os recursos destinados às mulheres nos partidos sejam transferidos diretamente para as candidatas. “O que proponho é que o recurso da mulher do partido vá diretamente para a conta das mulheres, evitando a demora que pode chegar a dois anos”, explicou, destacando que essa lentidão prejudica a eficácia das políticas de incentivo à participação feminina.
Desafios no ambiente digital
Soraya também abordou a questão da violência contra mulheres nas redes sociais, onde os agressores muitas vezes se sentem encorajados pelo anonimato. “A impunidade faz com que as pessoas se sintam à vontade para agredir por trás de uma tela”, afirmou.
Além disso, a senadora destacou que as mulheres precisam se esforçar ainda mais para obter respeito no meio político. “Uma mulher precisa estudar o dobro em comparação aos homens. E se for mulher negra ou de uma categoria vulnerável, esse esforço deve ser cinco vezes maior”, afirmou.
Ela fez uma analogia, comparando o ambiente político a situações de risco, sugerindo que as mulheres deveriam receber compensações por periculosidade e insalubridade em suas atividades. “A realidade política é desafiadora e muitas vezes perigosa para nós”, concluiu.
