Gabriela Rollemberg afirma que mulheres seguem sendo negligenciadas pelos partidos

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Desafios persistem na promoção de candidaturas femininas nas eleições deste ano

A advogada Gabriela Rollemberg, fundadora da rede Quero Você Eleita, destaca que as eleições deste ano estão repetindo problemas históricos na promoção de candidaturas femininas. Os partidos políticos continuam a demonstrar desinteresse em apoiar campanhas lideradas por mulheres, impondo barreiras que dificultam sua participação efetiva.

Segundo Rollemberg, as mulheres são frequentemente abandonadas por seus partidos, sendo lançadas como candidatas sem o suporte necessário para uma campanha bem-sucedida. Apesar das recentes leis criadas para promover a inclusão eleitoral feminina, ainda falta comprometimento com a implementação dessas normas.

A advogada ressalta que a má distribuição de recursos financeiros é parte de um problema mais amplo relacionado à violência política de gênero. Ela afirma que toda mulher que decide entrar na política enfrenta riscos, independentemente do cargo que busca ou do país em que se encontra.

Gabriela Rollemberg observa que os principais partidos não demonstram uma verdadeira intenção de eleger candidatas mulheres, mas se limitam a atender exigências burocráticas. Em muitos casos, os recursos destinados a campanhas femininas acabam beneficiando candidatos masculinos, especialmente em posições como vice ou suplente.

Essas dificuldades tornam essencial a vigilância da sociedade civil e do eleitor na escolha de seus representantes. Rollemberg enfatiza que as mulheres não querem apenas ser candidatas, mas sim serem eleitas e ocuparem espaços de poder.

Reserva de cadeiras

A fundadora do Quero Você Eleita propõe a criação de reservas de vagas no Parlamento como uma solução eficaz para garantir a representatividade feminina. Ela argumenta que é necessário implementar cotas de cadeiras para aumentar significativamente a representação feminina na política.

Rollemberg alerta que o Brasil ocupa a última posição na América Latina em termos de proporção de mulheres eleitas, e as normas eleitorais atuais não são suficientes para mudar esse cenário rapidamente. Se as regras vigentes forem mantidas, o país levará cerca de 130 anos para alcançar a igualdade de gênero na política.

Efeito digital

A advogada também abordou o impacto da digitalização no debate político e nas candidaturas femininas. Embora a internet tenha democratizado espaços e proporcionado benefícios, como o fortalecimento de lideranças femininas, também trouxe desafios, como o aumento do discurso de ódio.

O discurso de ódio transcende a esfera eleitoral, permitindo que grupos promovam e monetizem a violência de gênero e ampliem movimentos que buscam suprimir os direitos políticos das mulheres, incluindo o direito ao voto.

Rollemberg defende a necessidade de regulamentar as plataformas digitais, especialmente em relação à monetização de discursos de ódio, para impedir que indivíduos lucrem com a violência contra as mulheres.

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