Lição de 2026: a internet não substitui a rua

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A presença nas ruas é fundamental para a política contemporânea.

A campanha de 2026 já demonstra uma lição importante: a política não pode ser dissociada da presença física nas ruas. Cada vez mais, lideranças que se destacam no ambiente digital estão se engajando em atividades presenciais, utilizando esses momentos para gerar conteúdo que se espalha rapidamente nas redes sociais.

Historicamente, o crescimento da nova direita foi atribuído ao domínio das redes sociais, mas essa visão ignora sua construção nas ruas, universidades e em atos públicos. Esses locais foram cruciais para ampliar a presença política e gerar acontecimentos que reverberam no ambiente digital.

Renan Santos, candidato à Presidência, exemplifica essa realidade. Embora frequentemente associado a vídeos e polêmicas nas redes sociais, sua trajetória política é marcada por uma atuação que vai além do digital. O Movimento Brasil Livre (MBL), que ele ajudou a fundar, combina comunicação digital com organização militante e presença territorial.

Fundado em 2014, após as mobilizações de 2013, o MBL ocupou universidades, organizou manifestações e formou lideranças, estabelecendo núcleos em diversos estados. O movimento também deu origem ao Partido Missão, algo que o bolsonarismo tentou sem sucesso. Criar um partido político exige uma estrutura sólida, coleta de assinaturas e articulação territorial, atividades que não podem ser realizadas apenas por meio de vídeos virais.

Um erro comum nas análises sobre esses grupos é considerá-los apenas através da lógica digital. Renan Santos não é apenas um influenciador político; sua atuação envolve trabalho de campo, formação de militância e circulação em diferentes territórios.

A presença física do MBL em eventos de adversários não visa apenas o confronto, mas também a criação de acontecimentos que podem ser registrados, editados e compartilhados posteriormente.

O fortalecimento de movimentos e candidaturas revela que a influência nas redes sociais depende cada vez mais da capacidade de gerar eventos no espaço público. A dinâmica é simples: o ato não termina com a manifestação. O que ocorre nas ruas se transforma em material para vídeos, memes e narrativas que continuam a circular por dias ou semanas.

Assim, a rua e a internet se tornam interligadas. O espaço físico oferece personagens, emoção e imagens que conferem espontaneidade ao conteúdo, algo que campanhas digitais muitas vezes não conseguem reproduzir. As redes sociais amplificam a repercussão, transformando um evento local em uma disputa nacional. Para ter sucesso, é necessário não apenas participar, mas também criar cenas que possam ser disseminadas.

Essa integração é visível em diferentes campos políticos. João Campos, ex-prefeito do Recife, ganhou destaque nacional através de uma comunicação digital eficaz, mas também intensificou sua presença em agendas de rua e encontros presenciais, demonstrando que mesmo figuras consolidadas nas redes precisam estar ativas no território para manter sua mobilização.

Nikolas Ferreira seguiu uma estratégia semelhante ao realizar, em 2026, uma caminhada de mais de 200 quilômetros até Brasília. Essa jornada reuniu apoiadores e gerou conteúdo durante vários dias, com cada etapa alimentando publicações nas redes sociais. Não se tratou apenas de um ato político, mas de uma estratégia contínua de produção de conteúdo.

Para os profissionais de comunicação política, a mensagem é clara: as redes sociais não substituem a presença nas ruas, mas ampliam a capacidade de mobilização e circulação. O que ocorre no espaço físico ganha visibilidade digital, alcançando novos públicos e estimulando ações presenciais. Em 2026, essa articulação não é mais uma tendência, mas parte integral do planejamento das campanhas.

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