Liderança em tecnologia ainda distante da diversidade no Brasil
A trajetória de um profissional negro no setor de tecnologia revela desafios de representatividade e inclusão.
Por muitos anos, a trajetória de vida de um profissional negro pode parecer improvável em um contexto de desigualdade. Crescendo em um lar onde a educação formal não foi uma prioridade, ele aprendeu desde cedo que o conhecimento poderia ser a chave para transformar sua realidade.
Filho de uma costureira e de um soldador, ambos sem diploma, ele enfrentou uma infância marcada por dificuldades. Os pais, apesar de não terem completado os estudos, sempre incentivaram a busca por oportunidades que não tiveram. Essa convicção se tornou um pilar fundamental em sua vida.
A educação pública foi o caminho que ele escolheu, sem atalhos ou privilégios. A crença de que o estudo poderia abrir portas impulsionou sua trajetória no setor de tecnologia, onde ele construiu uma carreira sólida ao longo de mais de quinze anos, alcançando posições executivas e impactando a vida de sua família.
No entanto, ao participar de reuniões de alto nível, ele frequentemente se depara com a realidade de ser uma exceção em um ambiente predominantemente branco. Dados recentes revelam que apenas 1% dos cargos de alta liderança no Brasil são ocupados por pessoas negras, enquanto 84,1% estão nas mãos de profissionais brancos.
No setor de tecnologia, a situação não é diferente. Embora pretos e pardos representem 35% da força de trabalho, apenas 16,8% ocupam cargos de diretoria e gerência. Essa discrepância indica que a diversidade na base de trabalhadores não se reflete nas posições de decisão.
A falta de representatividade não é o único fator que contribui para essa situação. A concentração de profissionais negros nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, em contraste com a predominância de oportunidades na região Sudeste, limita a mobilidade social e geográfica desses indivíduos.
Além disso, o setor enfrenta um desafio contínuo: a escassez de talentos. Muitas empresas de tecnologia relatam dificuldades na contratação de profissionais qualificados, mas continuam a buscar talentos nas mesmas universidades e círculos sociais, o que limita a diversidade de candidatos.
A trajetória desse profissional é um reflexo da valorização da educação e do apoio de professores que acreditaram em seu potencial. No entanto, histórias como a dele ainda são consideradas exceções, quando deveriam ser mais comuns.
A tecnologia tem o poder de transformar a sociedade, mas é fundamental que essa transformação inclua a diversidade nas lideranças. Embora haja sinais de progresso, como o aumento da presença de mulheres e homens negros nas empresas de TIC, ainda há um longo caminho a percorrer.
O orgulho pelas conquistas pessoais é acompanhado pela preocupação com os talentos que permanecem fora das salas de reunião, sem acesso às mesmas oportunidades. Para que a tecnologia construa um futuro inclusivo, é essencial que esse futuro represente a diversidade da sociedade brasileira.
