Berlim depende da Rússia para 90% de seu combustível através de refinaria controlada pela URSS

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Legado soviético ainda alimenta Berlim em meio a tensões geopolíticas.

Ao norte de Berlim, a cidade de Schwedt apresenta uma paisagem marcada por chaminés e estruturas metálicas enferrujadas, reminiscências de uma era anterior. Este local, onde a Alemanha Oriental e a antiga União Soviética firmaram sua aliança energética, ainda desempenha um papel crucial no abastecimento de combustível para a capital alemã. Apesar das declarações oficiais de rompimento com a Rússia após a invasão da Ucrânia, a realidade na refinaria PCK revela que a maior parte de sua propriedade continua sob controle russo, uma herança do passado que a Alemanha hesita em expropriar completamente.

A PCK Schwedt é vital para o funcionamento de Berlim, fornecendo 90% da gasolina e do querosene utilizados na cidade e no estado de Brandemburgo. Essa refinaria é essencial para diversas atividades, desde o aquecimento de residências até a operação de aeronaves no aeroporto internacional. A interrupção de suas atividades, mesmo que breve, poderia causar um colapso imediato no abastecimento, afetando a vida de milhões de cidadãos.

Refinaria encurralada

A situação atual da PCK é uma consequência direta da invasão russa à Ucrânia em 2022. Em resposta, o governo alemão decidiu retirar o controle operacional da refinaria das mãos da estatal russa Rosneft, colocando-a sob tutela do Estado para garantir o fornecimento de energia e evitar um colapso em infraestruturas críticas.

A tutela afeta as subsidiárias da Rosneft na Alemanha, que controlam três refinarias, incluindo a PCK. Juntas, essas refinarias representam cerca de 12% da capacidade total de refino do país. Contudo, Berlim optou por não expropriar as ações da Rosneft, que ainda detém 54% da PCK, temendo represálias russas e possíveis litígios internacionais.

O governo alemão tem renovado a tutela a cada seis meses, mas essa situação gera um impasse, já que o Estado não pode vender a refinaria, realizar investimentos significativos ou oferecer garantias legais, criando um limbo jurídico considerado insustentável.

A fragilidade desse arranjo se tornou evidente em 2025, quando novas sanções dos EUA à Rosneft causaram bloqueios financeiros e a refinaria enfrentou a insolvência. Para evitar um colapso no fornecimento de Berlim, os EUA concederam uma isenção temporária, mas deixaram claro que a Alemanha precisa resolver a questão da propriedade dos ativos da Rosneft.

Desde então, Berlim tem negociado com Washington para obter uma nova prorrogação ou estabelecer um arcabouço legal que evite futuras sanções. Uma das opções em consideração é transformar a tutela atual em um fundo fiduciário, demonstrando que a Rosneft não possui controle efetivo sobre a refinaria.

Uma peça fundamental do sistema energético alemão

A situação de Schwedt não é única. Um fechamento da refinaria exigiria um fluxo logístico caótico, com milhares de caminhões transportando combustível de outras regiões da Alemanha para Berlim, um cenário economicamente inviável.

Com a economia já pressionada por altos preços de energia e custos de transição energética, o impacto seria imediato. A PCK é também o principal motor econômico de Schwedt, empregando milhares de pessoas e sendo considerada essencial pela população local, que depende do combustível da refinaria para serviços públicos e emergência.

A PCK Schwedt foi construída na década de 1960, durante a integração da República Democrática Alemã ao bloco soviético, projetada para processar petróleo russo transportado pelo oleoduto Druzhba, que simbolizava a interdependência energética entre Moscou e a Europa Oriental durante a Guerra Fria.

Após seis décadas de operação contínua, mesmo com a reunificação da Alemanha e o colapso da União Soviética, a dependência do petróleo russo permaneceu, tornando-se um legado difícil de superar. Ao contrário do gás, onde a Alemanha nacionalizou ativos estratégicos, a questão do petróleo ainda não foi resolvida.

Embora a PCK não processe mais petróleo russo e passe a utilizar petróleo do Cazaquistão, a transição tem se mostrado cara e complexa. O abastecimento alternativo depende de portos específicos, e ainda há incertezas sobre a capacidade de manter um fluxo adequado para a

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