Embaixadores da União Europeia aprovam acordo comercial com o Mercosul segundo agências

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Comissão Europeia dá passo importante na formalização do acordo com Mercosul.

Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente, nesta sexta-feira (9), o acordo comercial com o Mercosul, conforme informações de diplomatas. A formalização dos votos ainda está sujeita ao envio de confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas.

A aprovação deste acordo representa um marco significativo, abrindo caminho para a assinatura do tratado, que vem sendo negociado há mais de 25 anos. Embora receba apoio de setores empresariais e industriais, o texto enfrenta forte resistência de agricultores europeus, especialmente na França.

  • 🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além da criação de regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

Com o aval do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo, que deve criar a maior área de livre comércio do mundo. Para o Brasil, a maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, impactando não apenas o agronegócio, mas também diversos segmentos da indústria brasileira.

Mais de 25 anos de negociações

O acordo comercial é resultado de mais de duas décadas de negociações entre os dois blocos. A expectativa é que, mesmo com a oposição de países como a França, o Parlamento Europeu aprove o tratado. A Comissão Europeia considera que este é o maior acordo de livre comércio já firmado pelo bloco, com a previsão de eliminar mais de 4 bilhões de euros em impostos sobre as exportações da UE anualmente.

  • Aproximadamente 91% das exportações da UE deverão ter tarifas eliminadas pelo Mercosul ao longo de 15 anos;
  • Enquanto isso, o bloco europeu deve remover progressivamente as taxas sobre 92% das exportações do Mercosul.

Os blocos também concordaram em aumentar as cotas de produtos isentos no setor agrícola. De acordo com a Comissão Europeia e apoiadores do tratado, como Alemanha e Espanha, o acordo oferece uma alternativa à dependência da China, especialmente no fornecimento de minerais críticos como o lítio, essencial para a produção de baterias.

Além disso, o acordo é visto como uma forma de mitigar os efeitos de medidas protecionistas, como as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos.

Acordo sofre resistências

Apesar do apoio da maioria dos Estados-membros, o acordo ainda encontra resistência de alguns países, preocupados com os impactos no setor agrícola. Um diplomata da UE e o ministro da Agricultura da Polônia relataram que 21 países apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. A Bélgica se absteve.

Para que a aprovação fosse possível, era necessário o apoio de pelo menos 15 países, representando 65% da população total do bloco. Entre os produtores rurais da França, o acordo é visto como uma ameaça, devido ao receio de concorrência com produtos latino-americanos mais baratos.

“A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado”, afirmou um representante do governo francês.

Protestos em razão do acordo ocorreram na França e na Irlanda, demonstrando a insatisfação de setores agrícolas.

Itália tem papel decisivo

Nesta semana, a Itália, que até dezembro se mostrava contrária ao acordo, sinalizou apoio ao tratado. Essa mudança foi crucial nas negociações, uma vez que a ratificação exige uma maioria qualificada no Conselho Europeu, com apoio de ao menos 65% da população do bloco.

Durante debates no Conselho Europeu, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, condicionou o apoio da Itália à consideração das preocupações do país em relação ao setor agrícola.

  • 👉 Recentemente, a Comissão Europeia propôs acelerar a liberação de 45 bilhões de euros para os agricultores, o que Meloni avaliou como um “passo positivo e significativo”.

O ministro

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