Hackers invadem empresas financeiras por meio de ligações e exigem resgates de até US$ 3 milhões
Grupos de hackers utilizam vishing para atacar empresas financeiras nos EUA.
Grupos de hackers têm adotado ligações telefônicas como estratégia para acessar sistemas de grandes empresas financeiras e de investimentos nos Estados Unidos. O objetivo é roubar informações confidenciais e extorquir as vítimas.
A técnica utilizada, conhecida como voice phishing ou vishing, envolve o contato com os celulares pessoais dos funcionários. Os criminosos se passam por colegas de trabalho ou membros da equipe de suporte de TI, convencendo as vítimas a acessar páginas falsas onde são solicitadas credenciais corporativas e códigos de autenticação multifator.
Pesquisadores de segurança identificaram quatro grupos principais envolvidos nessas campanhas, nomeados de Falcon, Helix, Pink e Redact. Eles podem fazer parte de uma rede de cibercrime mais ampla, denominada UNC6671.
Ainda não está claro se esses grupos operam como afiliados, se são divisões independentes ou se utilizam a mesma infraestrutura de Phishing-as-a-Service. A hipótese mais aceita é que exista uma operação coordenada que emprega diferentes marcas públicas de extorsão.
Embora os nomes das empresas afetadas não tenham sido divulgados, há informações de que grandes instituições financeiras e firmas de private equity estão entre os alvos, incluindo empresas renomadas do setor.
As empresas citadas não confirmaram os ataques, e algumas não responderam aos pedidos de posicionamento sobre o assunto.
Ataques buscam dados estratégicos para aumentar pressão sobre empresas
Após invadir os ambientes corporativos, os hackers buscam informações sensíveis que podem ser utilizadas para pressionar as organizações a pagarem resgates. Alguns grupos mantêm sites onde divulgam ataques e ameaçam publicar dados roubados caso as vítimas não aceitem negociar.
As exigências de pagamento variam entre US$ 750 mil e US$ 3 milhões. Uma carteira de criptomoedas associada a um dos grupos recebeu cerca de US$ 10 milhões em bitcoin apenas nos primeiros meses de 2026.
Os ataques não se limitam ao setor financeiro; também visam grandes empresas de manufatura, mercado imobiliário, saúde, seguros, tecnologia, transporte e hospitalidade.
Os principais ativos procurados incluem propriedade intelectual, código-fonte de software e informações confidenciais de clientes estratégicos. Recentemente, os criminosos têm concentrado esforços em empresas financeiras e jurídicas, especialmente aquelas envolvidas em fusões e aquisições, investimentos e processos judiciais.
A escolha desses alvos pode estar relacionada ao valor das informações que essas companhias detêm. Dados sobre transações, investimentos e disputas jurídicas aumentam a capacidade dos criminosos de pressionar as vítimas durante tentativas de extorsão.
A campanha evidencia a persistência da engenharia social como método em ataques corporativos. Apesar do avanço de operações automatizadas e ferramentas de inteligência artificial no cibercrime, os ataques identificados dependem de abordagens diretas aos funcionários para contornar mecanismos de autenticação e acessar os sistemas das organizações.
