Tarcisão do Asfalto enfrenta atrasos, derrotas no TCE e investimentos insuficientes em estradas

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Governador Tarcísio de Freitas enfrenta desafios no setor rodoviário em ano eleitoral.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, conhecido como “Tarcisão do Asfalto”, se aproxima do período eleitoral com um histórico de dificuldades na gestão rodoviária, um dos principais focos de sua administração.

Durante sua campanha, o apelido foi criado para associá-lo a um gestor eficiente em obras. Embora tenha conseguido avançar com a retomada do trecho norte do Rodoanel, outras licitações essenciais enfrentaram obstáculos significativos, resultando em desgaste político, especialmente com aliados no interior do estado.

Em 2025, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) suspendeu licitações que totalizavam mais de R$ 5 bilhões em investimentos. O órgão aplicou apenas 30,6% do orçamento previsto, alcançando pouco mais de R$ 1,1 bilhão de um total de R$ 3,6 bilhões. Para 2026, o orçamento do DER foi reduzido para R$ 2,2 bilhões.

Essas suspensões geraram insatisfação entre prefeitos e deputados estaduais, que contavam com esses projetos para fortalecer suas campanhas eleitorais. Para lidar com a crise de articulação política, Tarcísio promoveu uma mudança na liderança da pasta no final de janeiro, buscando melhorar as relações com seus aliados.

Assessores do governador acreditam que, apesar do cenário desafiador, seu desempenho nas eleições não será prejudicado. Eles destacam como conquistas a entrega do Rodoanel, a expansão das linhas de metrô e o progresso em projetos como o trem entre São Paulo e Campinas e o túnel entre Santos e Guarujá.

Em resposta às críticas, o governo estadual defendeu suas iniciativas, afirmando ter desbloqueado obras paralisadas e reestruturado projetos de administrações passadas, reiterando seu compromisso com a eficiência e a segurança jurídica.

Os recursos do DER são principalmente destinados a obras de conservação, como recapeamento e sinalização, além de ampliações, incluindo duplicações e pavimentação de estradas não concedidas. Atualmente, cerca de 9.800 quilômetros de rodovias estão sob a responsabilidade do órgão, enquanto aproximadamente 6.800 quilômetros são geridos por concessionárias privadas.

Parte das intervenções ocorre em rodovias sob concessão, onde integrantes do governo reconhecem que os ganhos eleitorais são frequentemente ofuscados por críticas ao sistema de pedágio free flow, o que levou o governador a desistir da instalação de pelo menos dez pontos de cobrança no ano passado.

As suspensões de licitações aconteceram em um contexto de tensão entre o DER e a construção civil. Empresários relataram descontentamento com exigências técnicas que consideravam inviáveis em alguns editais. As licitações de maior valor geraram questionamentos no Tribunal de Contas do Estado (TCE), que determinou várias paralisações. O governo justificou que as suspensões para adequações às recomendações são legais e foram prontamente atendidas.

Um exemplo emblemático ocorreu em 2023, quando a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística prometeu abrir uma estrada de cinco quilômetros na comunidade Quilombo dos Bombas, em Iporanga. O edital foi lançado em novembro de 2024, suspenso no mês seguinte, e a obra só teve início em junho de 2025, com conclusão prevista para o final deste semestre.

Outra grande contratação, prevista para 2024, era um edital de R$ 4,3 bilhões para a conservação de rodovias em 30 lotes. O processo foi paralisado em outubro de 2025 após questionamentos do TCE e relançado em janeiro por R$ 4,7 bilhões. Uma licitação adicional de R$ 915 milhões para manutenção de pistas e sinalização também foi suspensa.

Um dos episódios considerados falhas técnicas ocorreu em janeiro de 2025, quando o DER contratou uma empresa para melhorias em um trecho da rodovia Raposo Tavares que já estava sob concessão privada. O contrato, no valor de R$ 1,8 milhão, precisou ser cancelado.

Em nota, o governo informou que a área de engenharia do DER concluiu projetos executivos com estimativa de R$ 3,7 bilhões em investimentos, abrangendo 363 quilômetros de rodovias. A gestão ainda afirmou ter reformulado, licitado e executado 51 projetos desde 2023 e revisado 76 obras herdadas

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