Câmeras com inteligência artificial podem antecipar crimes, mas geram preocupações sobre privacidade
Sistemas de câmeras com inteligência artificial prometem antecipar crimes
Câmeras de monitoramento estão se transformando em ferramentas proativas na luta contra a criminalidade. Com o uso de inteligência artificial, esses dispositivos não apenas registram eventos, mas também tentam prever delitos antes que ocorram.
O chamado policiamento preditivo é uma abordagem inovadora que visa identificar comportamentos fora do padrão, utilizando algoritmos avançados. Essa tecnologia se aplica em contextos complexos, permitindo uma análise mais eficaz das situações.
As imagens capturadas, anteriormente analisadas manualmente, agora são processadas por sistemas que emitem alertas em tempo real. Por exemplo, se uma pessoa permanece em um local por um período excessivo, isso pode ser considerado um comportamento suspeito.
Esse tipo de tecnologia tem atraído a atenção de empresas que buscam aumentar a segurança em suas instalações. No entanto, especialistas levantam preocupações sobre a falta de regulamentação e o potencial risco de vigilância excessiva sobre indivíduos que não estão envolvidos em atividades criminosas.
Funcionamento dos sistemas

Esses sistemas funcionam conectando-se a câmeras de segurança, convertendo imagens em metadados e reconhecendo padrões. Quando há uma alteração significativa nesse padrão, um alerta é gerado.
Os metadados são sequências numéricas que resultam da análise das imagens. Os sistemas são treinados com dados de situações normais, permitindo a identificação de comportamentos anômalos.
No caso de algumas empresas, como a NoLeak, o sistema não toma decisões autônomas ao detectar uma situação suspeita. Em vez disso, recomenda que a situação seja revisada por profissionais de segurança.
“Os alertas são enviados para um sistema de gestão de vídeo, e o operador decide a ação a ser tomada, como acionar a polícia ou a equipe de segurança privada.”
A NoLeak, por exemplo, possui mais de 5 mil câmeras conectadas e atende a cerca de 100 clientes, incluindo indústrias e condomínios. O sistema promete reduzir a fadiga visual dos operadores e aumentar a capacidade de monitoramento.
Outras empresas, como Actuate e AxxonSoft, também estão desenvolvendo tecnologias semelhantes, transformando câmeras comuns em sistemas preditivos de segurança.
No entanto, especialistas alertam que essa tecnologia pode infringir o direito de locomoção dos cidadãos.
“Não se trata apenas de criminosos, mas também de cidadãos comuns que podem ser erroneamente abordados devido a falhas no sistema”, destaca uma pesquisadora.
Essas ferramentas refletem a crescente aplicação da inteligência artificial na segurança, embora sua eficácia e impactos ainda sejam questionados.
“Observamos uma demanda crescente por soluções tecnológicas que prometem resolver problemas históricos de segurança pública, como se houvesse uma solução mágica.”
Previsão de crimes
Sistemas avançados de policiamento preditivo utilizam aprendizado de máquina para reconhecer padrões em vídeos. Eles analisam grandes quantidades de dados para entender comportamentos normais e emitem alertas quando algo foge desse padrão.
Por exemplo, um sistema treinado em uma via pública aprende a identificar faixas de circulação e pode detectar quando um veículo está em contramão.
“O sistema precisa de cerca de duas semanas de análise para estabelecer um padrão confiável para reconhecimento.”
Esses sistemas focam em movimentações suspeitas, mas não analisam características físicas, priorizando a identificação de comportamentos anômalos.
Além de segurança patrimonial, essas soluções podem otimizar processos em linhas de produção, evitando paradas desnecessárias.
