Arqueólogos no Cazaquistão encontram possível primeira caravana da história
Descoberta de uma “casa sobre rodas” no Cazaquistão revela práticas nômades da Idade Média.
A recente escavação de um sítio funerário no noroeste do Cazaquistão trouxe à luz uma estrutura surpreendente que se assemelha a uma casa sobre rodas. Este achado inusitado, localizado na região de Pavlodar, destaca a vida dos povos nômades que habitavam a área durante a Idade Média.
O sítio, conhecido como Baidala, está situado a aproximadamente 450 quilômetros da capital do Cazaquistão, Astana. A importância das escavações nesse local é tão significativa que há planos para transformá-lo em um museu e centro cultural, com o objetivo de preservar e divulgar a rica história da região.
Além da estrutura peculiar, os arqueólogos descobriram diversos artefatos, como selas de cavalo, armas, joias e tecidos. Contudo, o que mais impressiona é a chamada “casa sobre rodas”, que lança nova luz sobre as práticas de habitação dos povos nômades.
Levando a casa junto
Os povos Kimek e Kipchak, que dominaram a Grande Estepe Eurasiática entre os séculos 9 e 10, são considerados os responsáveis por essa prática de transporte de suas habitações. As escavações, parte de um projeto de pesquisa que já dura duas décadas, revelaram uma estrutura que parece ser uma iurta, um tipo de moradia portátil tradicional entre os nômades da Ásia Central.
Curiosamente, a casa encontrada não foi desmontada, mas estava montada sobre uma plataforma com quatro rodas, o que a tornava transportável. Essa é a primeira evidência concreta da existência de uma “casa sobre rodas”, um conceito que até então era apenas hipotético.
A confirmação
A descoberta é notável, visto que não havia registros arqueológicos anteriores que comprovassem a existência de um veículo desse tipo. Embora documentos históricos mencionassem casas sobre rodas, nunca havia sido encontrada uma evidência física que corroborasse essas descrições.
Os povos Kimek e Kipchak formaram uma confederação entre os rios Ob e Irtysh, uma região central na história da Ásia. Essa confederação, que existiu até a invasão mongol, era composta por diversas tribos que apresentavam culturas semelhantes, com os Kipchak subordinados aos Kimak.
O que essa descoberta revela
O achado exige uma reavaliação da mobilidade e das práticas de habitação dos povos nômades. Acredita-se que a estrutura tenha sido utilizada por líderes políticos e elites, não apenas como um meio de transporte, mas também como uma residência durante as migrações.
Além disso, a localização da casa sobre rodas em um sítio funerário levanta questões sobre seu significado simbólico. Os arqueólogos especulam que a caravana poderia representar a jornada do falecido na vida após a morte, sugerindo uma função ritual além da prática cotidiana.
