Em 2012, preço da Raspberry Pi equiparava-se ao de videogames; hoje, alternativas de 10 dólares são as preferidas pela comunidade maker

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A Raspberry Pi enfrenta desafios com o aumento de preços, enquanto o ESP32 se destaca como alternativa acessível.

Nos últimos anos, a Raspberry Pi se consolidou como um símbolo de computação acessível, permitindo a montagem de computadores por preços baixos. Contudo, a recente escalada de preços de componentes essenciais, como a memória RAM, tem impactado negativamente a plataforma, criando espaço para a ascensão do ESP32.

Atualmente, os preços das placas Raspberry Pi aumentaram significativamente. Por exemplo, a Raspberry Pi 5 com 8 GB custa mais de 180 euros (cerca de R$ 1.000), enquanto a versão de 16 GB ultrapassa os 300 euros (aproximadamente R$ 1.800). Essa elevação de preços contrasta com a proposta original da Raspberry Pi, que em 2012 visava tornar a computação acessível, com modelos iniciais custando entre 25 e 35 dólares.

A memória ficou sete vezes mais cara

O CEO da Raspberry Pi revelou que o preço da memória LPDDR4, utilizada nas versões 4 e 5, aumentou sete vezes em um ano. Esse aumento é atribuído à crescente demanda impulsionada pela inteligência artificial e pelos centros de dados que a suportam. Como resultado, a Raspberry Pi 5 de 16 GB sofreu três aumentos consecutivos de preço em apenas quatro meses, refletindo essa nova realidade do mercado.

Para mitigar os efeitos do aumento dos custos, a Raspberry Pi lançou versões com menor capacidade de memória, como as de 1 GB e 2 GB, que são adequadas para projetos mais simples. No entanto, a concorrência nesse segmento de entrada tem se intensificado, colocando pressão adicional sobre a plataforma.

O que é o ESP32?

O ESP32 é um chip versátil, conhecido como System on a Chip (SoC), desenvolvido pela Espressif. Ele integra um processador, memória SRAM, conectividade Wi-Fi e Bluetooth, além de outras funcionalidades que possibilitam sua utilização em uma ampla gama de projetos. Disponível em placas de desenvolvimento, muitas delas custam menos de 10 dólares (cerca de R$ 51).

Uma das principais vantagens do ESP32 é que ele não utiliza memória LPDDR, o que o torna menos suscetível às flutuações de preço que afetaram as Raspberry Pi e outros dispositivos que dependem desse tipo de memória. Embora alguns modelos de ESP32 possam usar memória externa, a maioria continua a ser uma opção econômica e estável.

Embora o ESP32 não substitua a Raspberry Pi, as duas plataformas atendem a propósitos diferentes. Enquanto a Raspberry Pi é projetada para funcionar como um computador completo, o ESP32 é mais voltado para aplicações de Internet das Coisas (IoT). No entanto, suas capacidades são vastas e, aliado ao preço acessível, o ESP32 se tornou uma escolha popular entre a comunidade maker.

Durante anos, a Raspberry Pi foi a escolha padrão para quem desejava desenvolver projetos inovadores. Contudo, com o aumento dos preços, a abordagem mudou. Agora, a questão central não é mais “qual placa escolher?”, mas sim “quanta capacidade de processamento realmente precisamos?”.

Na maioria dos casos, a necessidade de processamento é bem menor do que se imaginava. A Raspberry Pi continua sendo a melhor opção quando um sistema Linux completo é necessário, mas a realidade é que muitos projetos podem ser realizados de forma eficaz com o ESP32, evidenciando a versatilidade e as possibilidades que ele oferece.

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