Redução no número de vacas e avanços em genética e bem-estar impulsionam produção de leite em 24 anos
Número de vacas leiteiras diminui, mas Brasil alcança recorde na produção de leite.
Durante a 21ª Megaleite, realizada em junho em Belo Horizonte (MG), a vaca Jornada Montross FIV LPN estabeleceu um novo recorde mundial de produção de leite em um único dia, com 112,65 kg. O recorde anterior era de 111,947 kg, pertencente à vaca Fernanda Forbes IS Olhos D´Água.
Ao longo de três dias de competição, a vaca Jornada produziu um total de 337,95 kg de leite. Segundo o criador Rodrigo Nogueira Ferreira, a campeã recebe um manejo semelhante ao de atletas de alto rendimento, superando a média de produção de outras vacas da mesma propriedade, que é de aproximadamente 30 kg por dia.
“É um número muito alto. Se há 20 anos você falasse isso, a gente chamaria a pessoa de doido, estava sonhando e hoje já é realidade”, afirma Rui Verneque, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite.
Embora a vaca Jornada não represente a média das vacas leiteiras no Brasil, o caso ilustra uma tendência crescente: as vacas brasileiras estão produzindo significativamente mais leite do que há 24 anos. Esse aumento é atribuído a investimentos em genética, bem-estar animal e alimentação.
A seleção genética é um dos principais fatores que contribuíram para o aumento da produtividade. A raça gir leiteiro, que anteriormente produzia cerca de 2 mil kg, agora alcança uma média de 5 mil kg por lactação, que dura aproximadamente 10 meses. A raça girolando, da qual a Jornada é um exemplo, foi desenvolvida por meio do melhoramento genético, resultando em uma média de 7 mil kg por lactação.
Rodrigo Ferreira destaca que a genética do animal é fundamental para alcançar tais resultados. “Um animal que não tem uma genética boa é praticamente impossível você conseguir chegar no resultado”, afirma.
Além da genética, as vacas que produzem mais leite exigem cuidados especiais. Verneque ressalta que as condições de conforto, controle de temperatura e fatores ambientais precisam ser altamente adequados para que o animal produza em seu potencial máximo. Quando essas necessidades não são atendidas, o estresse ambiental pode reduzir a produção.
“Se você estiver com o ambiente com ar-condicionado, na temperatura que você gosta, está ótimo, não é isso? Agora, se você estiver em ambiente de calor extremo, você tem esse estresse térmico”, explica o pesquisador.
Na propriedade onde a vaca Jornada vive, Ferreira assegura que o gado tem acesso a sombra e áreas de pastagem, além de contar com uma baia exclusiva e uma equipe treinada para monitorar seu bem-estar.
A alimentação dos rebanhos também evoluiu, podendo incluir uma combinação de pasto e ração. Atualmente, as rações são formuladas com maior valor nutricional, enquanto o pasto incorpora gramíneas e leguminosas. A alimentação de Jornada passa por análises de qualidade e acompanhamento veterinário, o que é crucial para a produção de leite de qualidade.
