Estudante é preso após devorar obra de arte criada por inteligência artificial
Estudante é preso após vandalizar exposição de arte gerada por inteligência artificial na Universidade do Alasca.
O uso de inteligência artificial na arte ganhou um novo e polêmico capítulo nos Estados Unidos. Em um incidente ocorrido na Universidade do Alasca em Fairbanks, um estudante foi detido após vandalizar uma obra criada com auxílio de IA, arrancando-a da galeria e consumindo parte das imagens expostas. O ato, realizado por Graham Granger, um aluno de cinema e artes cênicas, resultou na destruição de várias peças da exposição e gerou um grande debate sobre os limites da arte e da tecnologia.
A obra em questão era parte de uma instalação do artista Nick Dwyer, que explorava sua relação emocional com a tecnologia através da inteligência artificial. Dwyer descreveu seu projeto como uma reflexão sobre o que chamou de “psicose da IA”, resultado de uma interação intensa com um chatbot que atuava como terapeuta. A exposição apresentava cerca de 160 imagens, que se assemelhavam a fotografias em estilo Polaroid, mesclando elementos do artista, do chatbot e versões híbridas entre ambos.
Durante o ato de vandalismo, testemunhas relataram que Granger rasgava as imagens e as colocava na boca, em uma cena que se assemelhava a competições de consumo. A polícia estimou que aproximadamente 57 imagens foram destruídas. O estudante foi detido no local, mas liberado algumas horas depois, embora enfrente agora consequências legais pelo ocorrido.
Nick Dwyer comentou que a ação de Granger poderia ser vista como uma performance impactante sobre os dilemas da arte gerada por inteligência artificial. No entanto, ele rejeitou a ideia de que o protesto pudesse justificar a destruição de sua obra, enfatizando a importância do respeito à arte e ao espaço expositivo.
Após sua liberação, Granger concedeu uma entrevista, onde discutiu suas motivações. Ele afirmou que não planejou o ato e que se sentiu ofendido ao ver uma obra gerada por IA exposta ao lado de criações de outros estudantes. Para ele, a inteligência artificial, embora útil em muitos contextos, não deveria ter espaço nas artes, pois considera que ela “mastiga e cospe a arte feita por outras pessoas”, criticando o uso de obras humanas sem consentimento para treinar esses sistemas.
O estudante argumentou ainda que o processo criativo é mais relevante do que o resultado final, e que reduzir a arte a comandos de texto desvaloriza o trabalho humano. Apesar da notoriedade que o caso ganhou, Granger afirmou que não se arrepende de suas ações, mesmo diante das implicações legais que enfrentará.
