ICE prepara uso de luvas de choque para reprimir imigrantes nos EUA

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ICE planeja equipar agentes com luvas que aplicam choques elétricos para controle de imigrantes.

Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) estão prestes a receber um novo equipamento: luvas que podem aplicar choques elétricos. A medida visa garantir a obediência de indivíduos em situações de confronto.

O ICE pretende investir até US$ 20 milhões na aquisição dessas “luvas condutoras de distração e desescalada”, com previsão de compra de milhares de unidades até março. O anúncio foi feito pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS).

Conhecidas como G.L.O.V.E. (Emissor de Voltagem de Baixa Intensidade Gerada), essas luvas são fabricadas pela Compliant Technologies LLC. O dispositivo é projetado para funcionar como uma luva comum até que um botão seja acionado, ativando o modo de choque elétrico.

Para que o estímulo doloroso ocorra, as luvas devem ser aplicadas diretamente sobre a pele da pessoa, induzindo uma resposta imediata que pode facilitar a obediência às ordens dos agentes.

Nos últimos anos, o uso de dispositivos semelhantes foi registrado em algumas prisões e departamentos de polícia, com relatos de que eles podem ser comparados a uma picada de abelha em termos de dor.

“Se o agente estiver enfrentando qualquer tipo de resistência por parte da pessoa, esta certamente é uma ferramenta eficaz.”

Especialistas sugerem que esses dispositivos podem ser utilizados para remover indivíduos não cooperativos de veículos ou residências, além de em situações de detenção. Para agentes que podem ser fisicamente mais fracos, como os mais velhos ou menores, essa tecnologia oferece uma vantagem significativa.

Entretanto, a fabricante alerta que as luvas não devem ser utilizadas como punição em casos de desobediência verbal ou comportamentos hostis, e não são recomendadas para populações vulneráveis, como crianças ou idosos.

Defensores dos direitos civis expressaram preocupação com essa iniciativa, ressaltando que os agentes do ICE já enfrentam críticas por seu uso da força, frequentemente sem supervisão adequada. A vice-diretora do projeto de policiamento da ACLU questionou a necessidade de tais dispositivos na fiscalização civil da imigração.

Ela destacou que as pessoas submetidas a choques elétricos podem não ser avisadas previamente, o que levanta questões sobre a ética e a segurança do uso dessa tecnologia.

“Introduzir luvas que podem ser usadas com tanta facilidade para provocar uma dor terrível durante abordagens é uma receita para causar danos ao público.”

  • O DHS afirmou que está preparando uma resposta a questionamentos sobre o assunto.
  • A Compliant Technologies não comentou sobre o tema, limitando-se a afirmar que não pode discutir o assunto no momento.

Os defensores do uso das luvas argumentam que elas são aplicadas em situações específicas e não de forma generalizada em operações de patrulha. A empresa fabricante afirma que os dispositivos têm sido eficazes em situações de contenção de indivíduos violentos.

Para operar as luvas, os agentes devem passar por um curso de treinamento e obter uma certificação a cada dois anos, garantindo que o uso do dispositivo seja feito de forma responsável e controlada.

Agentes federais já estão realizando operações de fiscalização de imigração em várias localidades, e a introdução dessas luvas pode mudar significativamente a dinâmica dessas abordagens.

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