França expande investigação sobre X e investiga manipulação algorítmica
França intensifica investigação sobre a plataforma X, de Elon Musk, por questões de segurança digital.
As autoridades francesas estão aprofundando a investigação sobre a plataforma X, que é controlada pelo empresário Elon Musk. Recentemente, a sede da empresa na França foi alvo de uma operação da unidade de crimes cibernéticos do Ministério Público de Paris, em colaboração com a polícia nacional e a Europol. A apuração agora abrange não apenas a suposta manipulação de algoritmos, mas também a disseminação de imagens de abuso infantil e deepfakes de conteúdo sexual.
De acordo com um comunicado do Ministério Público de Paris, a operação inclui buscas e a convocação de Musk e da ex-CEO da empresa, Linda Yaccarino, para prestarem esclarecimentos de forma voluntária. Ambos foram chamados como responsáveis legais e operacionais da plataforma durante o período em questão. Embora Yaccarino tenha deixado o cargo em julho do ano passado, os procuradores afirmam que ela teve um papel central durante os eventos que estão sendo investigados.
A investigação teve início em janeiro de 2025, após uma denúncia do deputado Éric Bothorel, que alegou que mudanças nos algoritmos do X poderiam ter distorcido o funcionamento do sistema automatizado da plataforma, afetando a recomendação e a visibilidade de certos conteúdos. Desde então, o escopo do inquérito foi ampliado para incluir várias infrações digitais.
Os investigadores levantam suspeitas de conivência da plataforma em diversas infrações, incluindo a circulação de material de abuso sexual infantil, a propagação de deepfakes sexualmente explícitos e a negação de crimes contra a humanidade. As autoridades estão avaliando se o design e os ajustes algorítmicos do X podem ter contribuído para a amplificação desse tipo de conteúdo, o que levanta preocupações sérias sobre a responsabilidade das plataformas digitais.
O debate sobre o papel dos algoritmos se intensificou após a aquisição do Twitter por Musk em 2022. Críticos na França e em outros países europeus apontam que houve uma alteração significativa na moderação e na priorização de conteúdos, resultando em um aumento de publicações políticas extremas e material considerado nocivo por reguladores e organizações civis.
Informações indicam que a investigação também está questionando o funcionamento do chatbot de inteligência artificial Grok, desenvolvido pelo X. Denúncias afirmam que o sistema teria gerado respostas que negam o Holocausto e disseminado deepfakes de caráter sexual, o que levou os procuradores a ampliar a investigação para além da lógica algorítmica da rede social.
X rejeita acusações
Em manifestações anteriores, a plataforma X negou as acusações e classificou a investigação como politicamente motivada. A empresa afirmou que não pretendia atender a certas exigências das autoridades francesas relacionadas ao inquérito, negando qualquer manipulação algorítmica ou prática de extração fraudulenta de dados. A companhia argumenta que o processo está sendo utilizado para restringir a liberdade de expressão.
Além disso, a empresa considera a investigação uma interpretação distorcida da legislação francesa, com possíveis impactos sobre direitos fundamentais e a proteção de dados dos usuários. Até o momento da operação em Paris, a plataforma não havia se pronunciado oficialmente sobre as buscas realizadas ou sobre as novas convocações para depoimento.
