Operação da PF compromete mais um aliado de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro
Operação da PF afeta pré-candidatura de Márcio Canella ao Senado no Rio de Janeiro.
A recente operação da Polícia Federal trouxe à tona novas complicações para a pré-candidatura de Márcio Canella ao Senado. Ele foi alvo de busca e apreensão, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro que podem comprometer sua campanha e a aliança política com o senador Flávio Bolsonaro.
Canella, que já enfrentou críticas por sua gestão na Prefeitura de Belford Roxo, onde nomeou milicianos, viu sua vulnerabilidade se intensificar com as investigações. Sua indicação como candidato pelo União Brasil foi inicialmente aceita como parte de uma estratégia de aliança política.
O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, também está em campanha para a Câmara dos Deputados e depende do apoio de Canella. Rueda tem participado de eventos ao lado de figuras ligadas a atividades ilícitas, o que pode afetar sua imagem e a de Canella.
A operação que visou Canella faz parte da 6ª fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes. Durante a operação, Canella foi preso em flagrante por porte irregular de um fuzil calibre .556 encontrado em seu veículo. As investigações da PF indicam movimentações financeiras suspeitas que superam R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, envolvendo crimes como lavagem de dinheiro e contratações ilegais.
Após a operação, a comunicação com Canella não trouxe respostas claras, mas evidenciou a fragilidade da sua posição política. O cenário se complica ainda mais para Flávio Bolsonaro, que já viu outros aliados, como o ex-governador Cláudio Castro, abandonarem suas candidaturas após operações da PF.
O deputado Douglas Ruas, que almeja o Governo do Rio, também enfrenta desafios em sua candidatura, especialmente após uma decisão do STF que manteve um desembargador no cargo, o que é utilizado como um argumento contra Flávio Bolsonaro.
A não prisão preventiva de Canella ofereceu uma chance de continuidade à sua pré-candidatura, mesmo com o desgaste causado pelas acusações. A detenção em flagrante por porte de arma ainda precisa ser avaliada, e o sigilo das investigações pode influenciar a decisão sobre sua candidatura.
Uma das alternativas discutidas é a substituição de Canella por Felipe Curi, ex-secretário de Polícia Civil, que ganhou notoriedade durante a Operação Contenção. No entanto, essa possibilidade enfrenta resistência do PP, que não quer abrir mão de um candidato com potencial de votos.
Outra estratégia poderia ser a ampliação das alianças em torno de Ruas, com o Republicanos considerando apoiar sua candidatura e possivelmente incluir o deputado Marcelo Crivella na chapa.
Atualmente, o PL ainda não definiu um substituto para Castro, e o senador Carlos Portinho tem conquistado apoio dentro do partido e entre aliados. Contudo, Flávio Bolsonaro considera que o deputado Carlos Jordy tem uma aceitação maior entre os eleitores bolsonaristas.
O deputado Sóstenes Cavalcantes também foi cogitado como uma opção, mas sua recente inclusão em uma nova operação da PF diminuiu suas chances de ser escolhido.
