Coreia do Sul proíbe abate e venda de carne de cachorro a partir de 2027

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Coreia do Sul proíbe abate de cães para consumo a partir de 2027.

A Coreia do Sul está prestes a encerrar uma prática alimentar que perdurou por décadas. A partir de 2027, o abate de cães para consumo e a venda de carne de cachorro serão proibidos, após a aprovação de uma nova legislação que estabelece um encerramento gradual dessa atividade.

A mudança não criminaliza o ato de consumir carne de cachorro, mas foca na cadeia comercial. A nova lei tornará crime criar cães especificamente para consumo, abatê-los ou vender sua carne.

Carne de cachorro perdeu espaço entre os sul-coreanos

Historicamente, a carne de cachorro era associada a pratos tradicionais da culinária sul-coreana, especialmente entre as gerações mais velhas. O boshintang, um ensopado feito com carne de cachorro, é um exemplo notório dessa tradição.

No entanto, a popularidade desse alimento caiu significativamente nas últimas décadas. Pesquisas indicam que apenas 8% dos entrevistados consumiram carne de cachorro nos 12 meses anteriores, uma queda em relação a 27% em 2015. Menos de um quinto dos participantes também expressou apoio ao consumo dessa carne.

Entre os jovens, a prática é ainda menos comum. O aumento no número de cães como animais de estimação contribuiu para uma mudança na percepção da população sobre esses animais.

“Os cães são como parte da família agora, e não é certo comer nossa própria família”, afirmou uma estudante de 22 anos.

Uma pesquisa realizada em 2022 revelou que 78,3% dos sul-coreanos não consumiram carne de cachorro na última década, e 87,1% não pretendem consumir no futuro. Entre aqueles que nunca comeram, a preocupação com a crueldade animal e o vínculo afetivo com os cães foram os principais motivos para essa rejeição.

Nova legislação prevê mudanças a partir de 2027

A nova legislação, aprovada pela Assembleia Nacional em janeiro de 2024, estabelece um período de transição de três anos para a indústria se adaptar. A partir de 2027, quem continuar atuando no comércio de carne de cachorro enfrentará punições.

As penalidades incluem até três anos de prisão para quem abater cães para consumo. Criadores e vendedores de carne de cachorro poderão ser condenados a até dois anos. O consumidor não será punido por consumir a carne, já que a proibição se concentra na produção e comercialização.

O período de transição permitirá que criadores, açougueiros e restaurantes busquem alternativas de renda.

Mais de mil fazendas e restaurantes terão de fechar

Estatísticas do governo indicam que havia cerca de 1.600 restaurantes de carne de cachorro e 1.150 fazendas de criação de cães para consumo em 2023. Com a nova legislação, esses estabelecimentos devem apresentar planos para encerrar suas atividades às autoridades locais.

O governo se comprometeu a oferecer apoio a agricultores, açougueiros e proprietários de restaurantes afetados pela proibição.

Criadores dizem que a prática poderia desaparecer naturalmente

Para muitos proprietários, o maior desafio será encontrar uma nova profissão em idade avançada. Um criador afirmou que muitos trabalhadores do setor estão na faixa dos 60 e 70 anos.

Alguns produtores argumentam que, devido à diminuição do número de consumidores, o setor acabaria desaparecendo naturalmente à medida que as gerações mais velhas deixassem de consumir esse tipo de alimento.

Uma dona de restaurante criticou a mudança, afirmando que a forma como os jovens veem os cães não deveria determinar o que outros podem comer. Ela defendeu que, em vez de proibir, a criação e o abate dos animais deveriam ocorrer em condições higiênicas.

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