Produtora expande granja e prepara filho para assumir o negócio após superar luto
Gracita Basso e sua jornada na avicultura após perdas familiares.
O campo sempre fez parte da vida de Gracita Basso. Filha de agricultores de Espumoso (RS), ela acompanhou seu pai na lida desde a infância. Mudou-se para o Distrito Federal na adolescência e, ao longo de mais de três décadas, transformou a relação com a terra em profissão. As perdas familiares a obrigaram a assumir o negócio, e o trabalho se tornou a força que a impulsionou a seguir adiante e honrar o legado da família.
Atualmente, Gracita mantém uma operação que envolve agricultura e avicultura, com foco constante em custos, manejo, tecnologia e resultados. A propriedade, que passa por uma nova fase, vê o filho Renato demonstrar interesse em continuar o negócio, sinalizando a transição para a próxima geração.
Do Rio Grande do Sul para uma nova vida no Distrito Federal
A ligação de Gracita com a produção rural começou na infância. Desde os 7 anos, ela preferia acompanhar o pai no campo do que realizar atividades domésticas.
“Era difícil, mas sempre gostei mais da lida do campo”, recorda.
Como a filha mais nova e única mulher da família, enfrentou desafios. Em 1989, aos 15 anos, deixou o Rio Grande do Sul para se juntar aos irmãos no Distrito Federal, onde seus pais se estabeleceram no início do ano seguinte.
Nessa nova fase, a avicultura tornou-se uma parte importante da história familiar. A atividade já estava em funcionamento quando seus pais chegaram, diferenciando-se das práticas anteriores no Sul.
Com o tempo, Gracita descobriu que a produção de frangos oferecia uma conexão que ia além de um simples negócio.
“É muito gratificante produzir alimento. Você vê o pintinho tão bonitinho se transformando em um frango e, depois, vê-lo na gôndola do mercado”, compartilha.
Quando o trabalho virou refúgio
Entretanto, a trajetória no campo não foi apenas de crescimento. Em 2010, a perda de dois familiares transformou a vida de Gracita.
Esse foi o momento em que ela teve que assumir a condução total dos negócios. “Em 2010, eu tive que tomar as rédeas e respirar fundo”, relembra.
Diante de desafios desconhecidos, a solução foi aprender fazendo. “O que eu não sabia, aprendi e continuo aprendendo até hoje”, afirma.
Gracita menciona que o conhecimento vem da rotina, da prática e da convivência com quem trabalha diretamente com a atividade. “Não há um manual de instruções. É no dia a dia que buscamos aprender com as pessoas”, diz.
O trabalho se tornou uma forma de enfrentar o luto. “Conseguimos superar. Estava ao lado do pai e da mãe, e seguimos em frente, levantamos a cabeça, e o trabalho foi nosso refúgio naquele momento”, destaca.
Em 2021, novas perdas trouxeram mais uma fase de transição, mas a rotina da propriedade ajudou a família a seguir em frente.
“Mais uma vez, o trabalho foi nosso alimento diário para levantar a cabeça”, acrescenta.
Assumir a propriedade também significou aprender a tomar decisões rapidamente. “Todo dia tem um desafio novo”, comenta.
Gracita até começou a deixar um caderno ao lado da cama para anotar preocupações e evitar passar horas pensando nos problemas da propriedade.
“No agro, todo dia tem um desafio novo. Não podemos nos dar ao luxo de errar. As margens são apertadas, e os insumos, caros”, enfatiza.
A necessidade de atualização é constante. Manejo, legislação, administração e finanças são parte de uma rotina de aprendizado que, segundo ela, deve ocorrer “dia após dia”.
Avicultura exige atenção do primeiro dia ao abate
No manejo da granja, o cuidado começa com a chegada dos pintinhos, comparados a bebês que necessitam de condições adequadas de temperatura, ventilação e manejo.
“Quando chegam, são meus bebês. Está frio? Está quente? Tem muito vento?”, relata.
Dividindo sua atenção entre agricultura, administração e avicultura, Gracita monitora indicadores como mortalidade e desempenho dos lotes.
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