Temer elogia Vorcaro como ‘figura doce’ e admite erros na liberação de apostas durante seu governo
Ex-presidente Michel Temer comenta sobre Daniel Vorcaro e sua trajetória política.
O ex-presidente Michel Temer (MDB) se pronunciou sobre Daniel Vorcaro, do Banco Master, destacando que sua impressão pessoal não deve ser confundida com as ações do empresário.
Temer afirmou que, embora tenha percebido Vorcaro como uma figura “muito doce”, é necessário separar essa imagem das atitudes que ele toma. Em entrevista ao programa Frente a Frente, o ex-presidente reconheceu que Vorcaro pode ter exagerado em algumas situações.
O escritório de advocacia de Temer foi contratado pelo Banco Master antes do agravamento da crise da instituição. Segundo o ex-presidente, sua missão era buscar uma solução com o mercado financeiro, visando uma possível “liquidação privada” do banco, ao invés de uma intervenção pública pelo Banco Central.
Durante sua atuação, Temer tentou dialogar com representantes do setor financeiro, mas constatou que a solução seria inviável sem a anuência do Banco Central. Ele admitiu que não obteve sucesso nessa empreitada e decidiu se afastar do caso.
O ex-presidente também revelou que o Banco Master não cumpriu integralmente o valor acordado. Documentos da Receita Federal indicam que o banco informou um pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de Temer em 2025.
Em outro ponto da entrevista, Temer refletiu sobre a legalização das apostas esportivas, uma medida aprovada durante seu governo. Ele não se mostrou satisfeito com essa decisão, afirmando que, embora não se arrependa, não aplaude o ato, reconhecendo que a regulamentação era inevitável.
Temer explicou que a autorização das apostas foi uma alternativa à forte pressão pela liberação dos cassinos no Brasil. Ele considerou a medida como um “mal menor” diante da resistência à criação de cassinos no país.
O ex-presidente defendeu a necessidade de uma “regulamentação rigorosa” e uma fiscalização intensificada para o setor de apostas, sugerindo ainda restrições para grupos específicos, como beneficiários do Bolsa Família.
Sobre sua relação com o atual presidente Lula (PT) e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Temer revelou que não teve contato com Lula desde sua reeleição, exceto por uma breve conversa durante a posse de Alexandre de Moraes no TSE.
Temer comentou que entende o uso do termo “golpe” por Lula como uma forma de agradar a parte do PT. A respeito de Dilma, ele mencionou que não se comunicam desde o impeachment, afirmando que ela nunca mais falou com ele.
Assumindo a presidência em 2016 após o impeachment de Dilma, Temer governou o Brasil até 2018 e, em sua entrevista, também abordou sua relação com Joesley Batista, que o gravou em 2017 e o acusou de tentar comprar o silêncio de Eduardo Cunha.
Temer ironizou a possibilidade de um novo encontro com Batista, condicionando-o a uma “retratação pública” e sugerindo que a conversa deveria ocorrer em um local seguro para evitar gravações.
O ex-presidente mencionou os eventos de 8 de janeiro como uma “tentativa de golpe”, embora não soubesse avaliar a participação de Jair Bolsonaro (PL) nesses atos, enfatizando que a invasão visava os prédios que abrigam os Poderes.
Recentemente, Temer lançou o documento “Estrada Para o Futuro”, com sugestões para candidatos à presidência, abordando temas como segurança, educação e a infiltração de policiais em organizações criminosas.
Ele relatou que os pré-candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) expressaram gratidão pelo envio do documento.
O programa Frente a Frente, que foca nas eleições de 2026, já contou com a participação de diversas figuras políticas e é transmitido no YouTube do UOL, sempre às segundas-feiras, às 19h.
