Estudo revela que marcação a fogo causa 18% de erro na identificação de bovinos
A marcação a fogo causa significativo erro na identificação de bovinos, afetando a gestão do rebanho.
A marcação a fogo é uma prática tradicional na pecuária, mas um novo estudo indica que essa técnica pode resultar em até 18% de erro na identificação dos bovinos. Essa taxa de erro compromete não apenas a gestão do rebanho, mas também a saúde e o manejo dos animais.
O problema se origina não apenas da numeração aplicada, mas também da qualidade da marca ao longo do tempo. Cicatrizes e o crescimento de pelos, juntamente com o desgaste da identificação, dificultam a leitura dos números, resultando em registros incorretos no manejo do rebanho.
Uma identificação imprecisa pode levar o produtor a associar informações de um bovino a outro, prejudicando registros críticos como vacinação, tratamentos e desempenho reprodutivo. Além disso, a dificuldade de leitura aumenta o risco de que procedimentos sejam repetidos ou realizados no animal errado.
Essas preocupações são parte das discussões em torno de um projeto que visa reduzir a marcação a fogo. Iniciado em 2021, essa iniciativa já envolveu mais de 100 pecuaristas em quinze estados, abrangendo um rebanho superior a 500 mil bovinos. O projeto é uma colaboração entre instituições acadêmicas e empresas privadas, buscando alternativas mais eficazes e menos invasivas.
Impactos na gestão do rebanho
Uma taxa de erro de 18% pode ter consequências profundas no controle do rebanho. A identificação incorreta pode levar a erros na gestão de saúde e produção dos animais. Isso enfatiza a necessidade de práticas mais precisas e seguras para garantir a integridade da informação.
A discussão sobre a redução da marcação a fogo também se alinha a questões de bem-estar animal. A prática é invasiva e pode causar dor e estresse, levando a lesões e infecções. Especialistas no setor destacam que a marcação é um manejo complexo que apresenta desafios operacionais para os trabalhadores no campo.
Alternativas à marcação a fogo
O intuito do projeto não é abolir a marcação a fogo completamente, mas sim explorar alternativas que sejam mais eficientes e que minimizem o impacto negativo sobre os animais. As opções incluem brincos, bottons e tatuagens, além de outras estratégias adaptadas às circunstâncias específicas de cada propriedade.
A implementação dessas alternativas não apenas melhora o bem-estar animal, mas também a eficiência das operações no curral. A escolha de métodos de identificação deve ser individualizada, levando em conta as características da propriedade e os riscos envolvidos.
Um novo modelo de identificação
É crucial avaliar quais formas de identificação são realmente necessárias em cada propriedade. Em situações de maior risco de roubo, a marcação da propriedade pode ainda ser válida, desde que aplicada de maneira correta. Não há uma solução única para substituir a marcação a fogo, e as alternativas devem considerar as peculiaridades de cada sistema de produção.
Em uma das fazendas participantes do projeto, a identificação do nascimento dos bezerros foi adaptada. Anteriormente feita com marca a fogo, a prática agora utiliza brincos de diferentes cores, em um sistema similar ao semáforo. A iniciativa está em sua segunda fase, buscando aumentar o número de propriedades envolvidas e explorar alternativas que minimizem marcações consideradas desnecessárias.
