Estudo revela que queijo curado pode ajudar a prevenir Alzheimer e questiona a crença de que toda gordura saturada é prejudicial

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Estudo revela que consumo de queijos gordurosos pode reduzir risco de demência

Por décadas, as diretrizes nutricionais consideraram as gorduras saturadas de origem láctea como prejudiciais à saúde cerebral. Contudo, novas pesquisas desafiam essa crença, apresentando evidências de que queijos e cremes de leite ricos em gordura podem, na verdade, contribuir para a saúde mental.

Um estudo abrangente acompanhou quase 28 mil pessoas ao longo de 25 anos, revelando que o consumo regular de queijo e creme de leite não apenas não aumentou o risco de demência, mas, surpreendentemente, parece ter reduzido esse risco de forma significativa.

Os pesquisadores analisaram dados alimentares em conjunto com o Registro Nacional de Pacientes da Suécia, identificando 3.208 casos de demência durante o período de estudo. Ao cruzar essas informações, foi possível observar os hábitos alimentares dos indivíduos diagnosticados.

Os resultados mostraram que aqueles que consumiam 50 gramas ou mais de queijo rico em gordura diariamente apresentaram uma diminuição do risco de demência entre 13% e 19% em comparação com os que não consumiam. Além disso, o creme de leite gorduroso foi associado a uma redução de 16% no risco de desenvolver demência.

Curiosamente, não foram encontrados benefícios semelhantes em laticínios com baixo teor de gordura, leite comum ou manteiga. Isso sugere que a composição específica do queijo e do creme de leite fermentado desempenha um papel crucial na proteção da saúde cerebral.

Por que esse queijo?

A coautora do estudo destacou a lógica biológica por trás dos resultados. Embora as dietas tradicionais limitem o consumo de queijo devido ao seu teor calórico e de gorduras saturadas, esse alimento é rico em ácidos graxos de cadeia média, vitamina K2, cálcio e proteínas de alta qualidade.

Adicionalmente, por ser um alimento fermentado, o queijo pode ter um impacto positivo na microbiota intestinal, cuja conexão com a saúde cerebral é cada vez mais reconhecida. Assim, uma microbiota saudável pode ser um fator importante para garantir uma boa saúde mental.

Entretanto, é fundamental abordar esses resultados com cautela, uma vez que se trata de um estudo observacional. Isso significa que, embora duas variáveis possam estar correlacionadas, não se pode afirmar com certeza que uma causa a outra.

Fatores de estilo de vida, como a maior atividade física entre os consumidores de queijo na Suécia, podem influenciar os resultados. Os pesquisadores tentaram ajustar essas variáveis, mas a complexidade das interações entre dieta e saúde ainda requer mais investigação.

A concepção de que “toda gordura saturada é prejudicial ao cérebro” está se tornando obsoleta, à medida que se reconhece que alimentos complexos, como queijos curados e creme de leite, podem ter propriedades benéficas que vão além de suas classificações nutricionais básicas. A chave pode não ser a eliminação de grupos alimentares, mas sim a compreensão da qualidade e origem dos alimentos que consumimos.

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