Debate sobre a condição de jogador de eSports: atleta ou funcionário? Lesões físicas no cenário competitivo em discussão

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Lesões nos eSports: um desafio crescente para os competidores

Embora os esportes eletrônicos não exijam tanto do físico quanto os esportes tradicionais, lesões são uma realidade para muitos competidores. Estudos recentes indicam que a incidência de problemas de saúde entre jogadores é alarmante.

Especialistas em medicina esportiva, como a Dra. Konidis, identificam uma série de lesões comuns entre os praticantes de eSports. Essas condições não só afetam o desempenho, mas também podem comprometer a saúde a longo prazo dos atletas digitais.

Fadiga ocular

A fadiga ocular é uma das condições mais prevalentes entre jogadores de eSports. Essa condição é causada pelo esforço contínuo e prolongado da visão, resultando em sintomas como visão turva, ardência, dor nos olhos, dores de cabeça e sensação de peso nas pálpebras.

Dor no pescoço e nas costas

Dores no pescoço e nas costas são frequentes entre os pro-players, frequentemente associadas a posturas inadequadas durante longas sessões de jogo. Embora existam dados comparativos que sugerem que esses atletas podem ter taxas de lesões superiores a outros grupos sedentários, ainda não está claro se essas taxas superam as da população em geral.

Lesões musculoesqueléticas

Lesões musculoesqueléticas, especialmente nos pulsos e mãos, também são comuns. Com o tempo, esses problemas podem evoluir para condições mais graves, como a síndrome do túnel do carpo ou tendinopatia do extensor comum, conhecida como epicondilite lateral ou cotovelo de tenista.

As lesões dos pro-players em números

Pesquisas recentes revelam a frequência de lesões entre jogadores de eSports. Um estudo analisou 65 jogadores nos EUA e constatou que 56% deles apresentavam fadiga ocular, 42% dor no pescoço e nas costas, 36% dores no pulso e 32% dores na mão. Surpreendentemente, apenas 2% buscou ajuda médica para esses problemas.

Outra pesquisa, realizada com 365 jogadores brasileiros, mostrou resultados ligeiramente diferentes. Os dados indicaram que 28,49% relataram dores no pulso, 20% nas costas, 18,35% nas mãos e 15,89% nos dedos. Um dado alarmante é que 30,96% dos jogadores relataram ter sofrido algum tipo de lesão nos últimos 12 meses.

Causas das lesões em pro-players

Os estudos indicam que as lesões estão ligadas a movimentos rápidos e repetitivos, que podem alcançar de 500 a 600 movimentos por minuto. O volume de treino, que pode variar de 5 a 10 horas diárias, também contribui para o surgimento de problemas. Além disso, a postura estática e incorreta durante longos períodos sentados causa sobrecarga na coluna vertebral, resultando em dores no pescoço e na coluna.

A fadiga ocular é exacerbada pela exposição prolongada a telas de LED, que emitem luz na faixa azul, causando danos aos fotorreceptores e fadiga visual.

O que tem sido feito para conter esses problemas

Nos últimos anos, organizações de eSports têm começado a integrar profissionais de saúde em suas equipes. Vitor Kenji foi um dos primeiros fisioterapeutas a atuar nesse meio, trabalhando com times como LOUD, Prodigy e Team Liquid desde 2020. Outras equipes, como a W7M Gaming, também já contavam com fisioterapeutas na época.

No entanto, a rotina intensa de treinos, hábitos sedentários e a falta de sono continuam a ser desafios significativos para os jogadores. Apesar da presença de profissionais de saúde, as lesões permanecem frequentes e problemas como privação de sono e riscos metabólicos e cardiovasculares, embora menos comuns, ainda são preocupantes.

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