Nó na garganta causado pelo nervosismo tem explicação científica e mente não colabora
A sensação de globus é um desconforto comum que pode estar ligado a fatores físicos e emocionais.
É uma das sensações físicas mais angustiantes e comuns: a percepção de que um caroço invisível está sufocando ou dificultando a deglutição. Clinicamente, essa condição é definida como a sensação de globus, caracterizada pela persistência de um “caroço” ou corpo estranho na garganta, sem a presença de obstruções físicas reais.
Por muito tempo, buscou-se uma única causa para esse desconforto, mas as evidências científicas apontam para múltiplas origens. Estudos sugerem que esse fenômeno pode ser causado pelo refluxo gastroesofágico ou pelo aumento da pressão no esfíncter esofágico superior.
No cotidiano, essa sensação é frequentemente associada ao nervosismo. Contudo, é essencial investigar causas subjacentes, especialmente se o sintoma for persistente e incômodo, antes de classificá-lo como de origem psicológica.
Após a exclusão de anormalidades estruturais por meio de exames médicos, fatores psicofisiológicos podem ser considerados. O estado mental e a hipervigilância de um indivíduo têm um impacto significativo na amplificação de sensações físicas existentes. Assim, a sensação de globus é classificada como um transtorno somatoforme, onde a manifestação física deriva de uma origem mental.
A literatura científica reconhece que eventos estressantes e estados emocionais intensos podem agravar esses sintomas. É uma sensação tão comum que frequentemente aparece em questionários médicos que avaliam somatização, pânico e ansiedade generalizada.
Um estudo prospectivo revelou que, entre pacientes sem causas locais aparentes, quase 28% apresentavam a sensação de globus como uma reação secundária a transtornos de ansiedade. Além disso, há uma alta prevalência de ansiedade e depressão em pessoas que experimentam essa sensação funcional desconfortável.
A psicóloga Beatriz Gil aponta que o “caroço” é uma consequência direta da resposta de alerta do corpo ao estresse. Quando estamos sob pressão, nosso corpo ativa sistemas de “emergência”, resultando em tensão muscular em várias áreas, incluindo a garganta e o pescoço.
Apesar do desconforto, as vias aéreas permanecem abertas, sem obstruções físicas reais. O problema real que perpetua essa sensação é a reação da pessoa a ela; quanto mais preocupação há com o “bolo” na garganta, mais intenso ele se torna, aumentando a ansiedade e criando um ciclo vicioso.
Para minimizar o desconforto, o primeiro passo é compreender o que está acontecendo na garganta e descartar problemas orgânicos. Reconhecer que a sensação é gerada pelo estresse e não por uma condição grave ajuda a reduzir os níveis de ansiedade.
Nos casos em que o desconforto persiste, a terapia psicológica é crucial. A abordagem ideal deve romper o ciclo de ansiedade, normalizar a sensação e evitar o monitoramento constante da garganta.
