Investigados por disseminação de fake news e tentativa de golpe permanecem ativos nas eleições de 2026
Influenciadores investigados por desinformação continuam ativos nas redes sociais durante a campanha de 2026.
Com a aproximação das eleições de 2026, influenciadores digitais que estão sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm utilizado novas páginas e perfis para disseminar conteúdos virais. Esses indivíduos, já alvo de ações judiciais por desinformação e tentativas de golpe em pleitos anteriores, permanecem ativos na campanha atual, apesar das restrições legais que enfrentam.
A Agência Pública identificou pelo menos dez desses influenciadores, muitos dos quais tiveram suas contas suspensas anteriormente por decisões da Justiça. No entanto, a validade dessas ordens é incerta, uma vez que os processos estão em sigilo. Ao menos quatro deles estão foragidos e operam a partir do exterior, continuando a publicar conteúdos enganosos.
Entre os investigados está Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como “Leo Índio”, primo de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. Ele é alvo de um inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado em 2026 e teve sua prisão decretada em 2025. Leo Índio foi flagrado na fronteira com a Argentina e já foi acusado de se beneficiar de esquemas de rachadinhas no gabinete de Flávio Bolsonaro.
Desde Puerto Iguazú, na Argentina, Leo administra um perfil no Instagram onde compartilha vídeos gerados por inteligência artificial sobre política brasileira. Um exemplo é uma deepfake em que Lula recebe um saco de dinheiro de seu filho. Além disso, ele publicou um vídeo com deepfakes que mostram militantes do Movimento Brasil Livre em situações comprometedoras.
Esses conteúdos são amplificados por uma rede de pelo menos 31 páginas dedicadas à produção de material sintético, denunciada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) ao TSE. Essa rede conta com mais de 1,4 milhão de seguidores e milhares de publicações, recebendo grande número de visualizações. A Federação Brasil da Esperança solicitou a remoção das contas e a aplicação de multas por propaganda antecipada e uso indevido de inteligência artificial.
Outro influenciador, Oswaldo Eustáquio, denunciado por associação criminosa no mesmo inquérito, também fez parcerias com páginas que utilizam inteligência artificial para criar conteúdos políticos enquanto estava foragido na Espanha. Eustáquio tem colaborado com uma influenciadora gerada por inteligência artificial chamada “Dona Maria”, que publica vídeos com ataques ao governo e defende Jair Bolsonaro.
Allan dos Santos, outro foragido que reside nos Estados Unidos, tem um mandado de prisão preventiva decretado pelo STF desde 2021. Ele continua a abrir novas páginas e canais nas redes sociais, onde dissemina desinformação sobre o processo eleitoral brasileiro. Recentemente, ele fez alegações infundadas sobre uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições, incitando uma possível ação militar contra o Brasil.
Em território nacional, influenciadores como Fernando Lisboa da Conceição, conhecido como Vlog do Lisboa, seguem ativos. Lisboa foi oficializado como candidato a deputado estadual pelo PL de São Paulo e continua a publicar conteúdos insinuando que o Brasil está sob ameaça de invasão e que o presidente Lula pode ser preso pelo governo dos EUA.
Bárbara Zambaldi Destefani também mantém seu canal “Te Atualizei” ativo, onde publica conteúdos que atacam decisões do STF e defendem intervenções externas no Brasil. Após ter seus perfis bloqueados, ela criou um aplicativo próprio para continuar disseminando suas mensagens.
Enzo Leonardo Suzi Momenti, conhecido como Enzuh, é outro influenciador que, apesar de ter enfrentado investigações e bloqueios de suas contas, continua a publicar conteúdos que promovem teorias conspiratórias e desinformação sobre o processo eleitoral e o STF.
A persistência desses perfis é atribuída à escalabilidade dos conteúdos e à dificuldade do cumprimento de determinações judiciais por parte das plataformas digitais. A professora Yasmin Curzi, especialista em direito digital, destaca que a efetividade das decisões judiciais depende de cooperação internacional, especialmente quando os influenciadores estão fora do Brasil.
As plataformas de mídia social, como Meta e Google, foram questionadas sobre suas medidas contra a desinformação eleitoral. O Google afirmou que atua conforme a legislação local, enquanto a Meta destacou suas parcerias com autoridades para combater o uso indevido de imagens de candidatos.
Os perfis mencionados foram contatados para comentários, mas a reportagem permanece aberta a novas
